AINDA SOMOS O
PAÍS DO FUTURO?
Rui Martinho Rodrigues*


Éramos um país rural em mudança para
as cidades. Os neocitadinos se modernizavam. Hoje somos um país urbano. Esgotou-se
o manancial rural a ser modernizado. Perdemos este potencial de crescimento.
Expandíamos a fronteira agrícola, compensando
a baixa produtividade. Já não temos tanto espaço para alargá-la. Mais uma
facilidade perdida.

As vagas nas escolas eram restritas. Bastava
expandi-las e aprendia-se alguma coisa nelas. Éramos um país de analfabetos. Bastava
alfabetizá-los. Hoje somos escolarizados, mas é precário o nosso letramento. É
mais complicado empreender uma recuperação em massa. Mais uma dificuldade
decorrente do não aproveitamento de oportunidade.
A carga tributária era baixa, onerava menos a atividade produtiva, deixava margem para aumentos e realizávamos grande parte dos investimentos com superávit fiscal. Hoje os tributos representam um pesado ônus, deixam estreita margem de possibilidade para aumentos e temos déficit.
Contraíamos dívidas, mas fazíamos
usinas hidrelétricas, aeroportos, estradas, linhas de telecomunicação e outras
obras da infraestrutura de transportes e serviços. Hoje contraímos dívidas sem
fazermos obras.

** Artigo publicado na edição de hoje (19.01.16) do Jornal O Povo.
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