UTOPIA
Humberto Ellery*

Quando Thomas Morus criou sua ilha
imaginária, organizada de modo a proporcionar alta qualidade de vida a um povo
equilibrado e feliz, deu-lhe o nome de Utopia.
Morus buscou no grego os elementos “ou”, que significa “não”; “topos”, que significa “lugar”; e o sufixo
típico da toponímia grega “ia”, para
criar o vocábulo que se traduz por “não lugar”, ou ainda “lugar que não
existe”. Utopia, portanto, é um lugar ideal, com instituições políticas
perfeitas, que por extensão significa quimera, fantasia, sonho.
Provavelmente inspirada n´A República
de Platão, a obra, por seu turno, inspirou autores outros como Campanella (Cidade do Sol),
Francis Bacon (Nova Atlantis), Russeau (O Contrato Social), e até o precursor
do pensamento socialista Saint-Simon, em seu projeto de reorganização total da
sociedade.
Talvez até por sua característica de
irrealizável, suscitou também as assim chamadas antiutopias, como “O Admirável
Mundo Novo”, de Aldous Huxley, e o instigante “1984”, de George Orwell, (onde a
TV foi pinçar a ideia do “big brother”, essa baboseira a que têm o desplante de
chamar “reality show”).
Todas essas lucubrações me ocorrem por conta de meu indefectível otimismo, pois
não aceito o pessimismo de Morus ao sugerir que um bom lugar não existe,
tampouco comungo da visão negativista de Orwell ao prenunciar o caos como
consequência do avanço tecnológico.
Mas a principal razão que me faz agora
pensar em utopia decorre da expressão “destruição criadora”, conceito
popularizado pelo economista austríaco Joseph Schumpeter, que em seu “Capitalismo,
Socialismo e Democracia” (1942), mostra que a modernização e a inovação dos
processos produtivos, que têm lugar numa economia de mercado, promovem a
destruição de empresas velhas (ultrapassadas) e antigos modelos de negócios.
(Antes dele o anarquista Mikhail Bakunin também argumentou que a força
destrutiva do “velho” é a força criativa do “novo”).
Portanto, em vez de lamentar a
destruição promovida por treze anos de (des)governo petista, é mais recomendável
aproveitar o ensejo e construir um novo país sobre os escombros que restam. No
grego existe uma palavra, “eu”, que significa “bom”, como sabemos “topia” significa “lugar”, vamos então
fazer do Brasil um “Bom Lugar”. Vamos juntos construir uma Eutopia.
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