QUANDO SE TEM O MESMO
NOME
Wilson Ibiapina*

Meu tio Raimundo, irmão de meu pai, ainda jovem, saiu do
Ceará e foi morar em São Paulo. Tinha um filho Wilson. Será que algum desses é
ele? O engraçado é que nem eu nem eles se interessaram, até hoje, em tentar
descobrir se existe algum parentesco entre nós. E eu que achava meu sobrenome
raro.
Trata-se de uma palavra indígena, tupi, e significa terra
cultivada. O meu Ibiapina vem da cidade do mesmo nome, na Serra da Ibiapaba,
onde habitavam os índios Tabajara. Eles eram comandados por dois caciques
famosos. Um deles Diabo Grande (Juruparaçu), na área onde estão hoje os
municípios de Ibiapina e Ubajara. Ele resistiu à colonização pretendida por
Pero Coelho, em 1603.

O Cacique Irapuan era apaixonado por Iracema, que, por sua vez
se encantou pelo guerreiro Branco, o português Soares Moreno. Iracema morreu de parto e Soares Moreno voltou para Portugal levando seu filho Moacir (filho do sofrimento). Dizem que é por isso que o cearense é nômade. O primeiro que nasceu foi embora. José de Alencar usou o livro Iracema para dar uma explicação poética para as origens do Ceará. Iracema – a virgem dos lábios de mel – virou símbolo do Ceará e o filho dela com o colonizador português representa o primeiro cearense, fruto da união das duas raças.
Jornalista
Diretor da Sucursal do Sistema Verdes Mares de Comunicação
em Brasília - DF
Titular da Cadeira de nº 39 da ACLJ
Nenhum comentário:
Postar um comentário