O BLOG DO ROBERTO
NOS FAZ FALTA
NOS FAZ FALTA
Reginaldo Vasconcelos*

Mantinha Roberto Moreira um prestigioso blog pessoal,
dentro do portal internético do complexo jornalístico do Grupo Edson Queiroz,
sítio virtual de alta credibilidade, com milhares de acessos diários.
O referido Blog foi de repente suprimido do Portal Verdes
Mares, desde ontem (22/09), e as redes sociais da Internet informam que a
causa do sumiço desse noticioso teria sido autocensura do sistema de emissoras
que o hospedava em seu domínio digital.

A causa da súbita despaginação do Blog do Roberto Moreira
teria sido uma notícia que ele deu sobre um hipotético bate-boca ocorrido entre
Ciro Gomes, Secretário da Saúde do Estado, e Camilo Santana, candidato a
governador pela coligação de que fazem parte os políticos da família Ferreira
Gomes.
Roberto teria suprimido a informação posteriormente,
dizendo ter sido ela negada pela assessoria do Governador, que lidera o grupo
político a que pertencem os supostos contendores. Mas isso não teria
adiantado. Assim mesmo, o Blog foi em seguida “retirado do ar” – como se diz popularmente.
Ora, eis um exemplo de que a liberdade de imprensa é sempre
relativa, em relação ao jornalista. É uma prerrogativa absoluta da empresa-veículo,
que designa uma determinada linha editorial, determinando o que deve ser
divulgado, e, principalmente, o que não pode sê-lo, e pune o noticiarista que se
afastar desses parâmetros.
Já dizia a minha avó, “quem o alheio veste, na rua o despe”.
Então, quem quiser ser independente, jornalista ou não, não pode se vincular por
um contrato de trabalho. É claro que a boa ética recomenda que a área de
jornalismo das empresas de comunicação tenha inteira independência dos seus
demais departamentos, bem como das conveniências políticas da administração
superior. Mas, é claro, essa situação idealizada é absolutamente ficcional, e só pode ser situada no território da utopia.
Lamento profundamente o fato, e me solidarizo ao Roberto
Moreira, mas, ao contrário do que fizeram os colegas Alfredo Marques e Freitas
Júnior em seu programa – não resta dúvida – com a maior hombridade e a melhor das intenções, entretanto entendo
não se poder protestar, nem conclamar à OAB que se insurja contra a medida da
empresa que calou o seu jornalista.
Isso porque aqui não houve um ato de agente público contra
o direito de expressão, como aconteceu no caso da recente ação judicial do Governador do Ceará contra uma revista, e a decisão de uma magistrada, que representa o Estado
Juiz, proibindo a sua circulação.
Em última análise, o que temos no caso presente é medida de
índole privada, entre o patrão e um empregado. Resta-me torcer para que o
Roberto Moreira continue na empresa, somando o bom conceito corporativo desta ao prestígio jornalístico dele, nutrindo eu ainda a esperança de que o
Sistema Verdes Mares reflua da decisão e restitua ao Roberto Moreira o antigo espaço no portal.
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