A SEGUNDA MORTE DE RIO BRANCO
Rui Martinho Rodrigues*
O pronunciamento da presidente Dilma na ONU tratou da guerra ao Estado Islâmico (EI). A boa diplomacia considera o princípio da não intervenção em assuntos internos (guerra civil no Iraque e Síria), o respeito a neutralidade em face dos conflitos alheios aos nossos interesses, o direito internacional e os trunfos disponíveis. Durante conflitos como as Guerras do Chaco, Coreia, I Guerra Mundial, II Guerra Mundial, observamos estrita neutralidade enquanto possível.

A presidente Dilma resolveu opinar. Não buscou sintonia com nenhum outro governo. Assumiu posição isolada. A Rússia e o Irã apoiam tacitamente as ações militares contra o EI. A Síria, que assiste ao bombardeio do referido EI dentro do seu próprio território, ofereceu até cooperação aos Americanos.

A síntese da nossa política externa tem sido o isolamento; a falta de ponderação dos nossos interesses, a inobservância de proporcionalidade entre as posições adotadas e o nosso peso político, econômico e militar. Diplomacia exige a consideração de tudo isso. Quando Churchill sugeriu convidar o Papa para a conferência de Ialta, Stalin perguntou quantas divisões tinha o Pio XII. Somos um País desarmado.

Mediar conflito é coisa que se faz quando as partes solicitam ou se tem ascendência sobre pelo menos uma delas. Não fomos solicitados pelos litigantes nem eles nos devem consideração.
Não somos grande potência comercial para que as partes tenham interesse em nos ouvir. Temos menos de 2% do comércio mundial. Não somos da região do conflito. Não influenciamos sequer os nossos vizinhos do Mercosul e da Aliança do Pacífico. Somos, sim, um anão diplomático.
Entramos no jogo sem ficha e nos metemos em briga de cachorro grande sem o menor interesse econômico, político ou estratégico. Trata-se de voluntarismo inspirado no terceiro-mundismo de meados do século XX.

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