TEMPUS REGIT ACTUM
Reginaldo Vasconcelos*


Pai e filho encontraram no governador, que os recebeu com fidalguia no Palácio dos Leões, um
homem ainda na faixa dos 30, de belos traços e de modos refinados, em esmerado
figurino, e, acima de tudo, muito bem instruído e ilustrado, já um intelectual
prestigiado como tal, a par de um político de sucesso. Os dois visitantes
ficaram bem impressionados, o filho comentando com o pai, profeticamente, que
uma pessoa tão bem qualificada deveria vir um dia a servir ao Brasil na
Presidência da República.

Ele então se lembrou da bela fotografia em que houvera posado com seu pai
e José Sarney no Maranhão, 20 anos antes, e quis reproduzi-la sobre o seu birô,
em um bom porta-retrato, para que todos notassem que o prestígio do diretor da
entidade superava os limites políticos do seu Estado e chegava aos palácios de
Brasília, vaidade natural que ocorreria a qualquer um – além da legítima
intenção de demonstrar apoio ao dignitário máxima de República, o qual, naquele
momento, era adorado pelo povo com o seu mirabolante “Plano Cruzado”, que
pretensamente debelaria a inflação.
Para tanto o filho telefonou ao pai perguntando pela foto, que este não
sabia mais onde estava, mas se prontificou a procurar. Dias depois, insistiu
pessoalmente com o seu genitor cobrando a encomenda que fizera, sendo informado
de que o General não obtivera êxito na busca que levara a cabo em seus arquivos
de imagens do seu tempo de governo. Mas que iria consultar a uma filha a quem
incumbira de organizar essas memórias. E o tempo correu sem resultados.
Um dia o General telefonou exultante ao filho para lhe comunicar que
finalmente aquela fotografia em que ambos apareciam com o então Governador do
Maranhão fora encontrada. Tarde demais. Certamente fora a bondade de Deus que a escondera, e
fora por castigo à soberba que Ele a fizera aparecer naquela hora, pois o Plano
Cruzado já malograra inteiramente, e o Presidente José Sarney naquela ocasião amargava agudo desprestígio e antipatia nacionais. Amem!
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