ÓLEO DE PEROBA NELES
Paulo Maria de Aragão*
O que faz a pessoa respeitar a lei não é a gravidade da pena, mas a
certeza de que será punida. Da sentença de um jurista inglês parece ninguém divergir.
Na realidade: adiantará preceito sem aplicabilidade? De que valerão novas leis
se parte das milhares existentes não tem eficácia? Levantamento de 2011 do
Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário indicava haver no Brasil
155.954 normas federais criadas apenas no período a partir de 1988, quando foi
promulgada a atual Carta, correspondendo à singular média de 19 novas regras
por dia. (FSP –15.02.14).
As leis, além de demasiadas, têm a história de que nem sempre pegam. O
deslizar do dever; não cumprir aquilo a que se está obrigado; o proveito
ilimitado do ilícito; tudo reflete o descrédito na pratica da justiça. Na
esteira desse entendimento, graça à roubalheira, tendo como lema “eu não sei de
nada”. Sem delação premiada, as organizações criminosas intrincadas no mensalão
e petrolão estariam numa boa.

Num contraponto, quanta insolência do
governo, pregou renovação na campanha e agora se contradiz: acolhe indicações
políticas e preserva empregos de aliados derrotados nas urnas. Assim, não
faltaram boquinhas ministeriais para Kassab, Eduardo Braga e Helder Barbalho
que assumiu a pasta da Pesca.


Em verdade, nada se distingue do marginal comum; este, aliás, muitas
vezes, com “méritos no seu mundo”, porque assume suas ações sem disfarces, por
acreditar que não tem saída. Óleo de peroba neles...
Nenhum comentário:
Postar um comentário