DESTAQUES CEARENSES

DESTAQUES

CEARENSES

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2020

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“PANDEMIA”

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EM 2020

“RESILIÊNCIA”

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sábado, 18 de agosto de 2018

LIBELO - Sem Limites e Sem Respeito (PX)


SEM LIMITES
E SEM RESPEITO
Paulo Ximenes*


Hoje, ouvindo programa de rádio da Rede Bandeirantes, levado ao ar diariamente pelas manhãs, de que fazem parte o jornalista, apresentador e radialista Ricardo Eugênio Boechat, o jornalista humoristico José Simão, além dos colaboradores Eduardo Barão e Carla Bigato, fui tomado por um sentimento de indignação – desses que assanham os brios de qualquer patriota.

Eu ia dirigindo o meu carro, e, como de costume, sintonizava aquela emissora – admirador que sou dos comentários irretocáveis do Sr. Boechat, e do talento inegável do Sr. Simão – quando, de repente, cai-me um fardo sobre a cabeça: Buemba! Buemba!

A dupla de radialistas, no afã de levar a cabo alguns gramas de gracejos, resolveu fazer menção ao dia consagrado ao Tiradentes, o nosso mártir da Inconfidência Mineira. E aí, o Sr. Boechat deu o mote para uma piada.

Uma estudante perguntou para outra se ela sabia quem foi Tiradentes, ao que a outra respondeu: 'É um feriado!' O Sr. José Simão aproveitou e emendou: “Um rapaz não sei de onde disse que estava 'enforcado' nas Casas Bahia. E caíram todos em gargalhada.

Eu lamento um deboche dessa magnitude, sem limites e sem respeito. Isso é uma afronta aos descendentes do Alferes Joaquim José da Silva Xavier, um desrespeito ao seu sofrimento ao cair nas cordas que lhe ceifaram a vida. Uma achincalhação descompassada com aquele que realmente enfrentou a própria morte para o bem-estar geral do País.






COMENTÁRIO

Louvável, por todos os títulos, o libelo de indignação do poeta Paulo Ximenes, em favor do nosso grande mártir da Inconfidência, glosado por radialistas em programa radiofônico humorístico.

Mas isso me lembra o dia em que encontrei furioso o meu habitual garçom no Canecanto, o Bira, o qual tinha uma queixa moral a me apresentar, contra um colega jornalista. Ele me aguardava no bar com uma edição de jornal, que trazia a crônica intitulada “Todo garçom é ladrão”.

Assim que me sentei à mesa, o Bira, com o jornal na mão, foi logo me abordando – Doutor, o senhor acha direito o sujeito dizer isso no jornal contra a classe dos garçons?

Li a crônica, que contava o caso de um colega do Bira que conquistou uma namorada, sem lhe revelar a verdadeira profissão. Foram a um restaurante, e quando ao final veio a conta ela o advertiu: “Amor, confere direito, que todo garçom é ladrão”.

Expliquei ao Bira (o qual, de tão revoltado, nem lera a matéria) que não era o cronista que dizia aquilo, mas ele apenas estava narrando uma história engraçada, que merecera aquele título. Ele então riu muito e absolveu o articulista.

No caso presente, ao que me parece, Boechat e José Simão estavam apenas evidenciando a falta de conhecimento dos jovens brasileiros sobre a História do Brasil, e não debochando de Tiradentes – até pelo contrário, pois demonstravam e subliminarmente lamentando, por meio da comicidade, esteja este herói, hoje em dia, tão ausente da memória nacional.

Reginaldo Vasconcelos


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