SARADO
NA PRAIA
Totonho
Laprovitera*

Vesti
meu calção de banho, de pano estampado com motivos tropicais, minha descolada
camisa de meia, gola olímpica, e enfiei meus pés no velho par de chinelas
japonesas. Para esconder os olhos de ressaca, assentei meus óculos escuros e
nos mandamos para a tal praia.
Ao
chegarmos, enquanto eu acompanhava os passos de Adolfinho, uma belíssima,
saradíssima e dourada garota aproximou-se de mim e, com um jeito bastante
reservado, quase cochichando, pergunto-me se eu aceitava o cartão dela. Sem nem
pestanejar, vaidoso até o talo, eu disse que sim. Aí, ela pegou o cartão, pôs
no cós do meu calção, sorriu e seguiu em frente, “num doce balanço, a caminho
do mar”. Espiando, atento e surpreso com a cena, Adolfinho comentou: “Pô,
Totonho, tá podendo, hein?”
Discretamente,
li o cartão e comentei baixinho: “Ah égua!...”
– Que
foi, Totonho?
– Pense
numa fuleragem...
– Fala.
– O
cartão...
– Que
diz o cartão?
– “Saiba
como perder gorduras localizadas”.
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