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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

ARTIGO - Non Ducor Duco (HE)

NON DUCOR DUCO*
Humberto Ellery**


Nós temos dois meses inteiros para escolhermos em quem votar para Presidente da República, por isso não tenho a menor pressa; continuo analisando o quadro político na maior calma. Aos poucos vou decidindo primeiro em quem não votar.

Alguns amigos mais impacientes, que já se definiram pelo Bolsonaro, me perguntam o que tenho contra ele. Contra ele, propriamente, não tenho quase nada, mas tenho menos ainda a seu favor. No entanto, existe uma possibilidade (muito remota, diga-se) de eu votar no Capitão: se ele disputar o 2º turno com o Ciro Gomes (voga morrer?).

(...............................................................................................) 

Já quem votar no Bolsonaro saberá exatamente em quem está votando; ele é exatamente aquilo que nós vemos, ele é transparente. Só que essa transparência não deriva de ideias claras, equilibradas e exequíveis, não; é a transparência inerente aos regatos pouco profundos.

A minha experiência de vida mostrou que a principal qualidade de um chefe é a capacidade de liderança. Non ducor duco. O nobre Deputado, depois de sete mandatos (quase trinta anos), jamais liderou nenhum partido (foram nove, ao todo, pelos quais passou), nunca relatou um projeto, nunca presidiu uma Comissão, nunca fez parte da lista de parlamentares mais influentes,  feitas anualmente pelo DIAP – Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar.

Bolsonaro nunca participou da Mesa Diretora, nem como suplente. Nunca presidiu ou foi relator de CPI, dos cerca de 170 projetos de lei que apresentou, conseguiu aprovar apenas dois, um que estende a isenção de IPI aos produtos de informática, e o outro que autoriza o uso da fosfoetanolamina (a pílula do câncer). É pouco, é quase nada; entretanto fez mais que o Ciro, que como Deputado Federal foi a maior nulidade que já passou por aquela casa.

Como é fácil observar, a única lista grande e encorpada do currículo do Bolsonaro é sobre aquilo que ele não fez e poderia ter feito. Notabilizou-se por trocar cusparadas com o desqualificado federal Jean Wyllys, e impropérios e injúrias com a inestuprável Maria do Rosário.

Em sete mandatos pertenceu sempre ao chamado “baixo clero”, que são aqueles deputados inexpressivos politicamente, que não apresentam nunca um projeto de lei importante para o País, e que exerçam uma liderança capaz de conseguir os votos necessários à sua aprovação, que nunca fazem ao menos um belo discurso, inteligente e inteligível, em que demonstre uma visão clara de país, uma proposta de mudança criativa, uma solução engenhosa para resolver a nossa eterna crise, algo aproveitável. Nada.

A um grande amigo que vê no Bolsonaro “uma luz no fim do túnel” eu advirto:

– Cuidado, que eu já ouvi um som de “piuíííííí...”

  
* Ducor non Duco, do latim, “Não sou conduzido, conduzo”. O lema está presente no brasão da cidade brasileira de São Paulo.    









COMENTÁRIO

Oportuno que em espaço jornalístico como este se teçam considerações, mesmo perfunctórias, sobre os pretendentes aos cargos eletivos, nesse momento agudo (e bicudo) da vida nacional. Ellery polariza em seu artigo, entre Jair Bolsonaro e Ciro Gomes, a sua repulsa gradativa, sem contudo definir ainda a sua preferência entre os tantos candidatos.

Sempre muito emocional em suas análises, o brilhante articulista não leva em conta que está repudiando os dois únicos candidatos à Presidência da República absolutamente ficha-limpa – e, em tempos de Lava-Jato, esta é a principal virtude a ser prestigiada.

E não digo ficha-limpa segundo os critérios da Lei Eleitoral, que exige condenação em duas instâncias da Justiça para descaracterizá-la, mas Ciro e Bolsonaro são detentores de primariedade penal absoluta, bons antecedentes, vida pregressa ilibada, no tocante a verbas públicas – embora muitas vezes processados por sua notória incontinência verbal.

O boquirroto Ciro Gomes, que pousa de “velho professor de Direito” – quando, embora tenha ensinado a matéria, não envelheceu nessa profissão – entretanto não há indícios de que se tenha locupletado indevidamente nos muitos cargos públicos que ocupou.  

O estouvado Bolsonaro, por seu turno, sempre do contra, sem seguir orientação de partido e indispondo-se até mesmo com os donos das várias siglas das quais foi filiado, chegou a devolver verba eleitoral ao saber que o recurso provinha de uma empreiteira do governo.

Porém, diferentemente do pretenso jurista catedrático, que andou se aliando a cobras e lagartos nos âmbitos estadual e federal, o mítico capitão jamais se integrou à velha política e a ela jamais fez concessões. Foi um “estranho no ninho” no Congresso, durante todos os seus mandatos, relegado ao baixo-clero, e sem conseguir aprovar nada. Ele e seus eleitores fieis são, pois, heroicos sobreviventes no nauseante reality show da vida pública nacional.

Não poderia ter sido líder de ninguém e de nada, sendo um militar de vocação linha-dura, entre notórios ladrões de colarinho branco, e ideólogos de esquerda, ex-subversivos e ex-terroristas, que pululavam no Parlamento, que tinham sido antagonistas ferrenhos do regime militar, vários deles vítimas da repressão que caracterizou os “anos de chumbo”. 

Enfim, parece-me que o fato de ter sido um grande líder, de per si, não recomenda ninguém, pois esse atributo reside muito mais nas carismáticas brumas da paixão que nas luzes da racionalidade. Quantos dos prestigiosos deputados do “alto clero” foram alcançados e desmascarados pela Operação Lava-Jato? Aliás, ao longo da História, no Brasil e no Mundo, tivemos menos líderes do bem autênticos e muito mais líderes do mal.

Reginaldo Vasconcelos
     

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