FORTALEZA
PRAÇA DE GUERRA
Rui Martinho Rodrigues*
Nossa cidade, mais uma vez, tornou-se praça de
guerra. Ônibus incendiados, prédios públicos e agências bancárias foram
atacadas. Facções desafiam os órgãos de segurança. A luta armada dos anos
sessenta e setenta pode ser tomada como termo de comparação do ponto de vista
do poderio das forças em confronto.

A guerrilha nunca teve contingentes tão
grandes. Nem teve um enraizamento comparável na sociedade. Nem logística e
organização em geral semelhante. Uns poucos ativistas, geralmente estudantes,
dependiam de assalto a banco para obter recursos; não tinham esquemas de
fornecimento de armas e munições comparável ao das facções criminosas de hoje.
A bandidagem vulgar tem uma fonte inesgotável
de financiamento: o comércio de drogas ilícitas e fornecedores de tudo o que
precisam dentro e fora do país. O combate aos grupos políticos armados foi
facilitado pelo estado de exceção. A participação das forças armadas e de
órgãos de inteligência mais preparados do que algumas das organizações
policiais que hoje enfrentam o crime organizado também contribuiu para a
vitória das forças do Estado.

Não temos um dilema. Não se trata de adotar
procedimentos ilegais, semeando novos crimes e criminosos ou deixar que as
facções crescem até dominar inteiramente o Brasil. Também não é preciso adotar
leis draconianas com ânimo definitivo. Drácon (650 – 600 aC.), legislador
ateniense, adotou leis severíssimas, mas passado o período turbulento daquele
momento estas foram logo substituídas por leis mais amenas.

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