O FOCO, A ÊNFASE E A REPETIÇÃO
Rui Martinho Rodrigues*
Os
limites da percepção sofrem os efeitos do confinamento. Quem só ouve os seus
pares perde contato com a realidade. Foi o que aconteceu durante a luta armada,
fato conhecido como “paranoia dos aparelhos”. Tudo que discordasse do discurso
dos companheiros era mentira. A avaliação das condições objetivas da luta
resultou estupidamente errada.


Como
chegou a presidir a Casa e sob a sua presidência a Câmara deixou de ser servil
ao Executivo? Ele foi eleito presidente da Câmara quando o governo tentava
destruir o PMDB, estimulando a criação de partidos às expensas da citada
agremiação. Escândalos e impopularidade davam o tom da política. O PMDB era
chamado a apoiar as políticas do governo, mas não a participar da sua
formulação. A presidente tratava grosseiramente os parlamentares. Cunha não se
fez líder. O governo praticamente o nomeou para tal função. Ele apenas mostrou
disposição para enfrentar o rolo compressor do Planalto; conhece o Regimento
Interno da Câmara, e sabe dialogar com os pares.
Alega-se
que ele é investigado em grande número de inquéritos e até já foi denunciado,
com denúncia aceita pelo STF. Foco, ênfase e repetição se fazem ao abrigo do
esquecimento da garantia constitucional de presunção de inocência. Enquanto ele
não for condenado presume-se: é inocente. Não se pode restringir direitos sem
condenação prévia. Ele pode sim, presidir a Câmara. As “manobras” do Cunha são
procedimentos regimentais de defesa semelhantes aos que a Presidente da República
usa para se defender do impeachment.

O
presidente da Câmara não manda nos deputados, é apenas um entre 513 votos. Suas
“manobras” são formalmente válidas e foram legitimadas pelo STF. Foco, ênfase e
repetição representam táticas inocentes ou desonestas de luta política.
Menti,
menti que alguma coisa há de ficar.
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