NÃO VAI TER GOLPE!
Reginaldo Vasconcelos*
Graças
a Deus não vai ter golpe, já que nessa acepção política a palavra alude a uma abrupta
manobra de força para a tomada do poder, rompendo as instituições, de
forma nada republicana e democrática. E nada disso está acontecendo no País.

O
que está em curso é um processo de impeachment,
remédio constitucional que tem precedente recente no País, que segue o rito
definido pelo Supremo Tribunal, hasteando fato determinado constatado em
relatório de tribunal oficial, e que conta com a aprovação de 80% do povo,
restando agora o julgamento político do Poder Legislativo. Cadê o golpe?

Um
governo que tem inúmeros de seus integrantes sob suspeita, investigados, processados,
presos, envolvidos em crimes, que levaram o País à bancarrota, suscita mesmo
que se o destitua pela força. Então, o sujeito que teme um golpe é como o
cachorro que quebrou o pote, sabe que merece o castigo, e que se põe a ganir de medo, logo que apenas defronte o
chinelo do seu dono.

Se
não prosperar o primeiro processo de impeachment,
um segundo, promovido pela OAB, será processado, e de todo modo a ação que
tramita no Tribunal Eleitoral possivelmente tenha a necessária energia para
varrer a bandalheira.

O
título deste artigo, aliás, na data de hoje, 1º de abril, o dia da mentira, é
uma homenagem irônica aos atuais próceres da República – aos que presidem os Poderes
e que estão na linha de sucessão da Presidência, e na linha de fogo das investigações,
bem como os que os aplaudem e dão apoio.
É
verdade que sem o golpe, falsamente alardeado, e sem um ato de força, por todos
temido, será difícil nos livrarmos inteiramente dessa malta, porque não há no
horizonte alternativas ideais.
Contudo, ver a politicalha sob o flagelo da lei,
escorraçada pela grande mídia, perseguida pela Justiça e fustigada pela Polícia
Federal, tropeçando nas próprias vísceras morais ao fazer seus desmentidos
chochos, exposta pelas delações premiadas e pelas escutas telefônicas, é sempre
um refresco íntimo para a cidadania espoliada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário