B DE PAIVA DE VOLTA ÀS
ORIGENS
Wilson Ibiapina*

Dia 5 Bê estará voltando para o Ceará com a atriz
Lourdinha, sua companheira inseparável dos últimos anos. Aos 82 de idade, que
completa no dia 6 de novembro, deixa a marca de sua trajetória profissional no
Rio, Brasília e Ceará, com repercussão nacional.
José Maria Bezerra de Paiva, o que tem de competência tem
de humildade. Nasceu em 1932 em Fortaleza, fruto da união das famílias Oliveira
Paiva e Bezerra de Menezes. O avô dele, João Francisco, mestre de ofício,
pintor e escultor, foi o primeiro fotógrafo do Ceará. Morreu envenenado com produtos
químicos que usava nas revelações. Ele veio de Portugal e teve dois
filhos. Um deles, Oliveira Paiva, só
foi lembrado 80 anos depois de morto. A mãe dele era da família Bezerra de
Menezes que está na História do Ceará.
O pai era jornalista e diretor da Fenix Caixeiral, até o
dia em que teve a brilhante ideia de fazer uma campanha pela “semana
inglesa”. Até então o trabalho era direto, que nem cantiga de grilo. Parar aos
sábados era uma audácia inadmissível. Foi demitido por ser tão criativo.

Ainda menino, B de Paiva sofreu um acidente que deixou
sequelas na perna direita, mas não lhe afastou das atividades artísticas.
Em 1950 estreou como autor e ator no Teatro Experimental de Arte, fundado
por ele e os amigos Hugo Bianchi, Marcos
Miranda e Haroldo Serra.


Trabalhou em mais de 500 produções para cinema, rádio, TV
e, principalmente, teatro. Depois do golpe de 64 reabriu e dirigiu o teatro da
Une, que havia sido destruído num incêndio. No Rio de Janeiro coordenou
instituições públicas culturais e criou cursos de teatro, como o primeiro curso
superior de Artes Cênicas na UniRio. Também trabalhou na Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ), onde foi reitor.
Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Ceará,
foi o criador da primeira secretaria de cultura do estado. O governador
Virgílio Távora o surpreendeu dando o cargo de secretário a Raimundo Girão.
Em Brasília, onde chegou a ser coordenador da Funarte e um
dos fundadores do Ministério da Cultura, foi professor da UnB e fundador da
Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, vinculada à Fundação Brasileira de
Teatro, da qual também foi presidente em 1995. Em 1999, coordenou os assuntos
culturais e artísticos da Pró-Reitoria de Extensão da UFC e a diretoria do
Colégio de Direção do Instituto Dragão do Mar, além de estar ligado à Fundação
Amigos do Theatro José de Alencar.
Como dramaturgo, escreveu, entre outras, as seguintes
peças: "Complexo", "Lágrimas de um Palhaço", "Rosa
Morta", "Vigília da Noite Eterna". Em parceria com o
pernambucano Hermilo Borba Filho,
publicou o livro "Cartinhas de Teatro".

*Wilson Ibiapina
Jornalista
Diretor da Sucursal do Sistema Verdes Mares de Comunicação
em Brasília - DF
Titular da Cadeira de nº 39 da ACLJ
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