DESENTULHEI OS OUVIDOS
Vianney Mesquita*
Ouvi, sábios,
as minhas palavras; eruditos, escutai-me, porque o ouvido julga as palavras,
assim como o paladar distingue os manjares pelo gosto. (BÍBLIA, Jó, 34-2,3).
A despeito de haver sido vaticinado
seu fim, quando do surgimento e das primeiras seduções da televisão no Brasil
em 1950, com a TV Tupi de São Paulo, o rádio prossegue como o meio de
propagação coletiva preferido pelos distintos públicos, considerados seus
variados estratos.



O Programa, de qualidade bem acima da
média dos compostos e realizados no Estado, é produzido pela Professora Maria
Lívia Marchon e tem no seu ativo um grupo de psicanalistas, psicólogos e
profissionais de esgalhos científicos afins, de máxima qualificação
universitária (muitos dos quais militando na Academia em programas de elevados
estudos stricto sensu) e experiência
clínica diuturna.
O escopo de Escutar e Pensar é fazer um liame da Psicanálise com outros
saberes, ao debater assuntos corriqueiros, porém sob o prisma dos lineamentos
científicos, no entanto, com linguagem bem traduzida, a fim de acertar o maior
número possível de admiradores, os quais também participam do Programa por via
telefônica, há quase dez anos.

Na mencionada audição do Escutar e Pensar, também a Professora
Lívia Marchon, cuja fala alvitra a paz e a opinião sugere a bondade,
ultrapassou a excelência de suas posições, nos apartes consentâneos para
concertar juízos conceituosos, em adição ou remate às lições desse Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do
Ceará – Homem e Instituição se merecem – cuja fecundidade reflexiva conquista o
coração mais crestado pelo desdém, mercê, principalmente, dos aprestos
intelectuais amanhados no curso de seus estudos acadêmicos, não lindados
somente à Medicina, ou na contingência da autodidaxia de quem não suporta ficar
longe dos livros e divorciado do pensamento contumaz, na melhor acepção que
esse vocábulo possa suportar.
No dia, a piéce de résistance descansou no tema intolerância,
acerca da qual o Dr. Valton de Miranda Leitão, assestando conhecimentos
interdisciplinares e mencionando autores a mancheias, discorreu a respeito do assunto,
com faustoso detalhamento e raciocínio por via de premissas silogísticas, como
se faz ao se operar a Lógica Formal – matéria por ele bem conhecida. Exemplificou
com o emprego da maldade humana, em relação a violência e perseguição àqueles
cujas posições lícitas divergem daquelas
de assunção dos agentes coléricos e persecutórios, no concernente a Política,
confissões religiosas, torcidas de futebol e outros esportes, raça, cor, sexo e
tantos outros aspectos em que não há unanimidade de pensamento, aduzindo o fato
de que essa condenável atitude é corrente no mundo inteiro, não existindo,
pois, somente a débito do Brasil, como
alguém poderia supor.
Ganhei a tarde, mais uma vez,
agradecido à Divina Providência pela comparência de personalidades de tanta
claridade aos veículos de comunicação massiva para deitar cátedra em temáticas
ordinárias e de suma preeminência, todavia, nem sempre cuidadas com o
necessário desvelo por quem armazena a capacidade de fazê-lo com decisão,
acerto e determinação, consoante procedem os bem aquinhoados intelectuais e
cientistas que fazem piso do programa Escutar
e Pensar, da nossa Rádio Universitária FM, componentes e convidados do
GPFOR, partícipes do “alto clero” da inteligência cearense.
Meus emboras ao Doutor Valton, pelo
estalão de homem e cidadão que ostenta ser, com vigor, lógica, inteligência,
preparo e, sobretudo, bondade, ao se posicionar com serenidade nos seus livros,
artigos, palestras e assemelhados contra os excessos e o desrespeito às compreensões
das pessoas acerca de quaisquer assuntos a que têm direito de acessar e
empreender juízos particulares, quase nunca acordes e integrais, em razão da
diversidade raciocinativa inerente à pessoa humana.
Ao ouvir o Escutar e Pensar desta sexta-feira (06.11.2015), desentulhei, pois,
os ouvidos da zoada do trânsito, da oitiva de tanto alcance financeiro e da
azáfama discordante que opera a massa amorfa e desinteligente, a trazer sobrosso a quem anela a
tranquilidade pela expressão do seu pensamento e peleja pela convivência sossegada.
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