A VERDADE,
SOMENTE A
VERDADE,
NADA MAIS QUE
A VERDADE.
Reginaldo Vasconcelos*
Reginaldo Vasconcelos*

Mas
há funcionários públicos concursados para altos cargos, muito bem pagos,
professores universitários, empresários prósperos, profissionais liberais de sucesso, que nasceram no sertão e que sequer saíram do
Nordeste, mas que conseguiram ascender, por esforço próprio, na escala social. Como
também conheço fidalgos nascidos em berço de ouro que não deram para nada. É
tudo muito quântico.

Sim.
Conta hoje o Tuma Júnior que durante essa greve do Lula "rolavam" alguns lanches
secretos. Tudo bem. Afinal, o objetivo era produzir um efeito dramático que
ajudasse a sua causa. Não valia morrer. Na verdade, o Lula, safo e bonachão, é
o índice do povo brasileiro, que consagrou o “jeitinho” para resolver qualquer
parada. Por exemplo, alguém acredita que o então pretenso candidato a Presidente da República,
Anthony Garotinho, fazendo sua greve, passou fome de fato?
Faz
parte. É da nossa cultura. O sujeito rouba um trem pagador na Inglaterra, vem para o Brasil e se
torna um “socialite”. O outro mata quatro na Itália, corre para cá, e afinal
ganha o perdão, e de quebra é premiado
com a nacionalidade brasileira.
Em outro momento, um nacional apronta por aqui de forma grave, é preso lá fora, e o Governo não pede a sua extradição, porque as prisões de lá são menos desconfortáveis do que as nossas; ou então tenta trazê-lo de volta a fina força, se a Justiça estrangeira quer matá-lo.
Por que não? É preciso ajudar os caras! Somos ou não somos "brasileiros bonzinhos", que só votamos em quem nós possa favorecer pessoalmente, que subornamos o guarda da esquina, o porteiro da festa, o fiscal da prefeitura?
Em outro momento, um nacional apronta por aqui de forma grave, é preso lá fora, e o Governo não pede a sua extradição, porque as prisões de lá são menos desconfortáveis do que as nossas; ou então tenta trazê-lo de volta a fina força, se a Justiça estrangeira quer matá-lo.
Por que não? É preciso ajudar os caras! Somos ou não somos "brasileiros bonzinhos", que só votamos em quem nós possa favorecer pessoalmente, que subornamos o guarda da esquina, o porteiro da festa, o fiscal da prefeitura?
Então – voltando à vaca fria – a certa altura da vida sindical, José Inácio descobriu que havia uma via segura
por onde se pudesse projetar, mesmo não tendo sido um bom profissional no chão
de fábrica, e embora não tenha passado do chamado “ensino básico”. A carreira política
era a solução. E foi mesmo.


Para
o povão passou a distribuir pão e circo, aplicando nisso menos de um por cento
do PIB, em troca dos votos da perpetuidade, aproveitando o vácuo social que a
direita deixara, uma direita burra, com o seu capitalismo selvagem e colonial, de vezo perverso, e depois a esquerda frappé
de Fernando Henrique Cardoso, que criou o Bolsa Família (com outro nome), mas timidamente e sem muita devoção. Aliás, toda a devoção de FHC no Governo foi dedicada a replicar o seu próprio
mandato, instaurando entre nós essa anomalia que permite ao presidente se reeleger sem sair do "trono", sem se descompatibilizar com a função pública.
E,
como se sabe, com o pai na Presidência o filho de Lula enriqueceu – a exemplo de tantos outros, que na política construíram um cabedal. No Brasil isso tem sido uma regra, com raras exceções. "Aquele que parte e reparte, e não tira para si a melhor parte, é burro ou não entende da arte" – esse é o brocardo que prevalece da nossa sabedoria popular. Aliás, muita gente que se conduz com probidade absoluta o faz por falta de oportunidade ou de coragem.
É muito raro de fato entre nós a pessoa incorruptível, que tenha chance de se locupletar de alguma forma, não tema a Justiça, mas que resolva não delinquir de forma alguma, por obediência aos seus próprios princípios morais. Justiça seja feita, os presidentes militares não saíram ricos do poder, e isso porque a disciplina e a honestidade fazem parte da cultura castrense, tanto quanto a truculência com o “inimigo”.
É muito raro de fato entre nós a pessoa incorruptível, que tenha chance de se locupletar de alguma forma, não tema a Justiça, mas que resolva não delinquir de forma alguma, por obediência aos seus próprios princípios morais. Justiça seja feita, os presidentes militares não saíram ricos do poder, e isso porque a disciplina e a honestidade fazem parte da cultura castrense, tanto quanto a truculência com o “inimigo”.
Pois bem. Vencidos
os seus dois mandatos, Lula indicou Dilma para continuar a sua “grande obra
política e social”, para a qual se aliara ao que havia de pior na direita
brasileira, fizera do Ministério a Arca de Noé dos ideólogos derrotados, e se
compusera com os demais poderes para instalar o absolutismo na República, no melhor
estilo bananeiro e cucaracha, estabelecendo com os fisiológicos do Parlamento o
mais desabrido "toma lá – dá cá", em nome da “governabilidade”.

Tudo
faz crer que Dilma Vana Rousseff se apaixonou muito cedo por um jovem
militante de esquerda, e sob a influência de seu grupo se viu envolvida na
chamada “luta armada”, ou “guerrilha
urbana”, para desespero da família, certamente. Caiu então nas engrenagens e foi trucidada
pela máquina repressiva do governo militar, mas por sorte sobreviveu e se
recuperou psiquicamente para entrar na vida pública, anos depois.
Não
é verdade que ela tenha lutado pela causa democrática – embora haja realmente
combatido a ditadura militar – pois o objetivo do seu grupo era instalar no
Brasil uma ditadura comunista. Alguns bravos políticos, advogados, jornalistas,
religiosos, que não eram necessariamente de esquerda, tornaram-se opositores da
direita porque combateram a censura e as atrocidades praticadas durante o
regime de exceção. Esses, sim, lutaram para restabelecer a democracia.
Porém, é preciso dizer, os esquerdistas ideológicos tinham certeza de que sua causa era justa, honesta e
humanitária, já que enxergavam no exemplo comunista, que naquela época florescia na Rússia,
na China, em Cuba e alhures a mais perfeita solução para a desigualdade social. Então,
naquela idade heroica em que se pensa poder virar um trem com a mão, os militantes se arriscavam
e muita vez sacrificavam suas vidas pelo ideal revolucionário.

Por
outro lado, a Presidente se contradiz naquilo que o marqueteiro mandou que
dissesse para o povo na campanha – e reza a cartilha petista que para ganhar
eleição “se faz o diabo”. Ao mesmo tempo ela agora enfrenta uma oposição severa,
e, desde a montagem do seu novo Ministério, novamente contemporiza com os políticos fisiológicos
de cujo apoio precisa desesperadamente no Congresso.

O País experimenta um segundo e muito maior tsunami escandaloso envolvendo a sua elite política e empresarial, todos mancomunados para lesar o erário.
No momento, temos uma enorme onda de denúncias adentrante ao continente, a qual, quando retornar ao leito processual penal em fevereiro, arrastará uma lama espessa de corruptos para o Supremo Pretório da República condenar. Ademais, se insinua um grave apagão hídrico e elétrico... e a inflação está voltando.
Enquanto isso, recebendo o exemplo nefasto que vem dos altiplanos da República, o crime organizado avança e atinge foros de estamento oficial, dividido em siglas que têm disciplina militar, dominando presídio e áreas inteiras das cidades, impondo sua vontade ao poder público, disseminando a violência em torno do milionário tráfico de drogas, explodindo agências de banco por todo o País, barbarizando o povo pelas esquinas, diante de polícias mal pagas, mal preparadas e mal aparelhadas, de uma legislação penal caquética, de um sistema judiciário lento – a despeito da alta qualidade intelectual dos seus componentes – e de uma estrutura prisional colapsada.
As populações ordeiras, por seu turno, começam a recorrer à desordem para reagir ao status quo, nas passeatas monstruosas, nos quebra-quebras, nas marchas contra os Palácios do Governo, nos grupos de cidadãos das pequenas cidades que depredam delegacias de polícia, prefeituras, fóruns da Justiça.

O País experimenta um segundo e muito maior tsunami escandaloso envolvendo a sua elite política e empresarial, todos mancomunados para lesar o erário.
No momento, temos uma enorme onda de denúncias adentrante ao continente, a qual, quando retornar ao leito processual penal em fevereiro, arrastará uma lama espessa de corruptos para o Supremo Pretório da República condenar. Ademais, se insinua um grave apagão hídrico e elétrico... e a inflação está voltando.
Enquanto isso, recebendo o exemplo nefasto que vem dos altiplanos da República, o crime organizado avança e atinge foros de estamento oficial, dividido em siglas que têm disciplina militar, dominando presídio e áreas inteiras das cidades, impondo sua vontade ao poder público, disseminando a violência em torno do milionário tráfico de drogas, explodindo agências de banco por todo o País, barbarizando o povo pelas esquinas, diante de polícias mal pagas, mal preparadas e mal aparelhadas, de uma legislação penal caquética, de um sistema judiciário lento – a despeito da alta qualidade intelectual dos seus componentes – e de uma estrutura prisional colapsada.
As populações ordeiras, por seu turno, começam a recorrer à desordem para reagir ao status quo, nas passeatas monstruosas, nos quebra-quebras, nas marchas contra os Palácios do Governo, nos grupos de cidadãos das pequenas cidades que depredam delegacias de polícia, prefeituras, fóruns da Justiça.
Como se não bastasse, Dilma é fustigada pelos ideólogos do seu próprio partido, que insistem
em manter o País na contramão da realidade mundial, anexado ao terceiro-mundismo
bolivariano, enquanto a maior economia do mundo cresce mais, e a segunda, para
continuar crescendo, tende a se afastar, ainda mais, do chamado socialismo real. Pobre “Presidenta”
Dilma. Ela não merecia isso. Com certeza, o fim de toda essa ópera bufa será trágico. Quem viver verá. E os pósteros o saberão pela História.
*Reginaldo Vasconcelos
Advogado e Jornalista
Titular da Cadeira de nº 20 da ACLJ
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