ESTADO CORRUPTOR
Paulo Maria de Aragão*
A sociedade resvala para insondável abismo. A classe dirigente
desmoraliza-se ante a revelação de fatos deploráveis. A inépcia e a vertiginosa
queda dos valores morais culminam nesse estado de coisas. A cobiça é uma
constante entre os governantes sem grandeza de alma nem de propósito.

Nesse marasmo, a sociedade segue o famoso chavão, "quanto pior, melhor", daí as
instituições permanecerem descumprindo suas finalidades, contrapondo-se aos
deveres. Não merecem mesmo respeito: um infame servidor, indiferente à aflição
do doente que vem do interior, condiciona a sua consulta ao pagamento prévio de
cem reais ou terá que aguardar no mínimo 90 dias para o atendimento. Onde andam
seus gestores?
Enoja o quadro de saúde do país. E não se avistam soluções no horizonte.
A classe dirigente ilude os sequazes.
Abusa e esquece aqueles que, há dois séculos, foram guilhotinados. O populacho assistia
à barbárie, sedento de sangue humano. Cabeças rolavam. O povo delirava,
povo este, chamado de sábio, que também qualifica de belo e “sinfônico” o
despertar barulhento dos pardais.

A fetidez expelida pela cloaca da corrupção tornou-se insuportável. Urge
depurá-la do estado corruptor, ampliada com os mensaleiros e desdobrada com o
petrolão. Estes envolvem membros de uma classe dirigente desmoralizada, por
enquanto, protetora de hóspedes temporários do cárcere, tratados com mimos e
atenções.
* Paulo Maria de Aragão
Advogado e professor
Membro do Conselho Estadual da OAB-CE
Titular da Cadeira nº 37 da ACLJ
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