A VERDADE FATIADA
Reginaldo Vasconcelos*
É verdade,
Michel Temer não é flor que se cheire. Não pode estar acima do bem e do mal
quem foi aliado de Lula e seus asseclas – Dilma, Palocci, Dirceu, Delúbio,
Waldomiro, Pizzolato, Vacari, Mercadante, Guimarães... Por outro lado, não pode
ser uma vestal quem é líder da ilustre patuleia que participou do Governo para
fazer estripulias: Renan, Cunha, Barbalho, Sarney, Romero, Geddel...

Uma vez no
Governo, Temer deveria ter formado um ministério de notáveis, ao invés de se
acercar de tanta gente corrupta, que foi caindo do Governo à medida que era
alcançada por deleções gravadas e por investigações policiais, embora se possa arguir
que ele precisava equilibrar os pratos para ter governabilidade, e conseguir
enfim emplacar as reformas.
Porém, deveria
e poderia Temer ter instalado um gabinete de crise, para promover a recuperação
do País, formado pelos melhores técnicos do mercado, durante
o seu mandato tampão, empurrando com a barriga as ambições políticas da sua gangue para a sua sucessão ou reeleição. Certamente teria funcionado.
Entretanto, é
verdade também ser muito estranhável que um Procurador Geral nomeado pelo PT
tenha feito composição com um empresário que prosperou exponencialmente, e
desonestamente, durante os governos do PT, para fazer gravações secretas com o
Presidente da República e com o presidente de seu partido, inimigos políticos do PT, para poder o delator confessar
seus crimes e ficar totalmente impune, com respaldo de um Ministro do Supremo
que trabalhou na campanha da Dilma e foi por ela nomeado.
É verdade, sim,
que a denúncia contra Temer tem bases muito frágeis, não somente pela
questionável licitude da forma usada para a obtenção das provas, mas também porque
as evidências são apenas gravações precárias, em que Temer, em sua casa, ouve
coisas de um megaempresário às quais responde de forma econômica e monossilábica.
No mais, o que
se tem assacado contra Temer é o recebimento de propina por um assessor, o que suscita
ilações contra o Presidente, é verdade, mas não induz formação de culpa em
relação a ele, porque a culpa não passa do agente, e o agente foi um terceiro.
Ademais, provar que alguém recebeu dinheiro, por doação ou empréstimo, ainda que politicamente cause dúvida e suspeição, não faz prova jurídica de que esse favor visava, ou resultou numa contrapartida desonesta. Collor de Mello foi levado ao impeachment por um automóvel Fiat que ganhou, e foi depois absolvido pelo Supremo Tribunal porque não se provou que, em troca do carro, ele tenha beneficiado o doador.
Ademais, provar que alguém recebeu dinheiro, por doação ou empréstimo, ainda que politicamente cause dúvida e suspeição, não faz prova jurídica de que esse favor visava, ou resultou numa contrapartida desonesta. Collor de Mello foi levado ao impeachment por um automóvel Fiat que ganhou, e foi depois absolvido pelo Supremo Tribunal porque não se provou que, em troca do carro, ele tenha beneficiado o doador.
A mulher de
César, politicamente falando, precisa parecer honesta – é verdade – mas,
juridicamente, não pode ser inquinada quando por acaso parecer não ser, a
despeito de não haver prova concreta de que ela tenha sido desonesta.
Por fim, a
última fatia dessa confusa verdade é a seguinte: tudo o que está acontecendo
com Temer não visa fazer justiça, muito menos o bem do País, mas apenas abrir
caminho para candidaturas em 2018.

Tampouco o foco
dessas ações é o bem da Nação e a felicidade do povo. O Brasil de hoje é um
barco furado, detonado pelos desmandos dos governos anteriores, de modo que
todos deveriam estar remando para que se chegue à outra margem, em vez de parar
o barco, que está fazendo água, no meio da travessia, empreendendo todos os
esforços para jogar ao mar um cachorro morto político como o Presidente Michel
Temer, que saindo do Governo terá o resto da vida para responder por seus eventuais ilícitos.
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