DESTAQUES CEARENSES

DESTAQUES

CEARENSES

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2020

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EM 2020

“RESILIÊNCIA”

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sábado, 20 de junho de 2015

CRÔNICA (WI)

NÃO SINTO SAUDADE DO FUTURO”*
Wilson Ibiapina**


Lembrando o filósofo  jornalista Francisco Augusto Pontes, Chico Pontes na UnB e famoso Augusto em Fortaleza:  “A felicidade dos outros me deixa de saco cheio. Papai Noel”.

Recém chegado a Brasília, perguntei se ele já conhecia a cidade: “Não, ainda estou nas primeiras letras”.






O compositor Ednardo, nosso contemporâneo, lembra que  “Augusto  é autor de mais de 200 letras", apenas umas 12 músicas onde contribuiu com suas letras e genialidade, são conhecidas do público ou gravadas, entre as quais: Carneiro e Água Grande em parceria com Ednardo; Lupiscínica em parceria com Petrúcio Maia; O Lago e A Mala em parceria com Rodger Rogério; Velho Demais e Sopa de Saudade e Palmito em parceria com Zeca Bahia; e outras inéditas com um dos fundadores da Tropicália, o baiano Piti que estava residindo em Fortaleza com o qual fez a parceria Caminho do Mar.

Também realizou parceria com os compositores do grupo piauiense residente em Brasília: Climério – Pelada; E Clésio – Folia ou Pressa; e existem outras com o Clodo e também O Mundo Mudar e Pancada do Mar em parceria com Rodger Rogério.” 

Segundo Ednardo, a frase “Vida, vento, vela – leva-me daqui” inspirou e foi usada por Fagner e Belchior na composição Mucuripe. Outra, “Eu sou apenas um rapaz, latino americano, sem dinheiro no banco e nem parentes importantes”, foi fundamental para Belchior construir sua famosa canção.

Paulo Linhares, que substituiu Augusto Pontes como Secretário de Cultura do Ceará, no governo de Ciro Gomes, escreveu num artigo: “O texto da música Carneiro, imortalizada por Ednardo, é a mais perfeita tradução do campo cultural cearense: “Amanhã se der carneiro/vou mimbora daqui pro Rio de Janeiro. As coisas vem de lá... E vou voltar em vídeo tapes e revistas multicoloridas. Pra menina meio distraída repetir a minha voz: Que Deus salve todos nós e Deus salve todos vós”.

Segundo Paulo Linhares, “o impasse da vida artística digna num Estado pobre; a centralização da indústria cultural sudestina; a vontade humana, demasiadamente humana de conquistar plateias; a súplica cearense por uma salvação tardia. Tá tudo na letra Carneiro”.

Quando juntava gente demais na mesa do Bar do Anísio, na beira mar, em Fortaleza, ele dizia: “Quando a mesa cresce, a cultura desaparece”.

Nos coquetéis de lançamento de livro era “A cultura em álcool imersa, logo dissipa e dispersa”.

* Frase de Augusto Pontes


**Wilson Ibiapina
Jornalista
Diretor da Sucursal do Sistema Verdes Mares de Comunicação
em Brasília - DF
Titular da Cadeira de nº 39 da ACLJ


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