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quarta-feira, 17 de junho de 2015

ARTIGO (WI)

NOSSOS ÍNDIOS
DESCENDEM DA ÁSIA?
Wilson Ibiapina*

Estive na Coreia do Sul em 1984 para cobrir a visita do Papa João Paulo II. Na ocasião, conheci em Seul o jornalista You, que trabalhava no serviço de programas de língua portuguesa da rádio e televisão KBS. Anos depois ele veio trabalhar na Embaixada Sul-coreana, em Brasília, como Adido de Imprensa. Infelizmente, esqueci seu sobrenome, o que  dificulta localizá-lo, hoje em dia, em sua terra.

O fato é que o You, durante o tempo em que esteve no Brasil, dedicou-se ao estudo da origem de nossos índios. Fez várias viagens ao Bananal, ilha onde moram várias tribos. Andou pelo Amazonas e leu muito. Fez até curso na UnB, tentando descobrir algum parentesco, uma origem comum. Ele se identificava muito com nossos indígenas. Aliás, a UnB chegou a divulgar informes sobre a possibilidade de nossos irmãos indígenas serem descendentes de povos que hoje habitam a Ásia. E chega a encontrar algumas semelhanças, como o tipo sanguíneo “O” negativo, cabelos negros e lisos, olhos amendoados, nariz levemente achatados, estatura mediana, jogos em grupos, como a corrida do tronco e as lutas indígenas, parecidas com o sumô.  

Os estudos chegam a identificar semelhanças fonéticas entre o tupi e línguas orientais. O informe da UnB chama a atenção para o fato de que as semelhanças entre os indígenas brasileiros e os asiáticos não podem ser assinaladas de forma genérica. Temos mais de 230 povos catalogados pela Funai. Os orientais, também não constituem um povo homogêneo. Só na China existem mais de 57 etnias, vivendo de forma distinta, ligados pelo mandarim.

Há poucos dias, o Dr. Borborema, médico e jornalista chamou minha atenção para um livro, escrito por Gavin Menzies, um ex-oficial da Marinha Britânica, que trás à tona toda essa história. Na Internet tem resumo do livro editado pela Bertrand Brasil. 

Diz que “em 8 de março de 1421, a maior esquadra jamais vista pelo mundo zarpou de sua base na China. Os navios gigantescos de quase 150 metros de comprimento, construídos com a mais selecionada madeira de teça, eram capitaneados pelos leais almirantes eunucos do Imperador Zhu Di. Sua missão era 'seguir até os confins da terra para recolher tributos dos bárbaros de além-mar'. Sua jornada duraria mais de dois anos: os navios chineses, assim, aportaram na América 70 anos antes de Colombo, circunavegaram o globo um século antes de Magalhães, descobriram a Antártida, chegaram à Austrália 320 anos antes de Cook e solucionaram o problema da longitude 300 anos antes dos europeus”.

O livro “1421 – o ano em que a China Descobriu o Mundo”, que mandei comprar para presentear meu amigo Francisco Baker, foi escrito depois de longas pesquisas. O autor visitou mais de 120 países e mais de 900 museus e bibliotecas e os principais portos marítimos do final da idade média. Há quem diga que, “quando a frota retornou à China, Zhu Di perdeu o poder, e a China iniciou um longo período, por ela mesma imposto, de isolamento do mundo que tão recentemente circundara. Os grandes navios apodreceram em seus ancoradouros, e os registros de suas viagens foram destruídos. Perdeu-se assim o conhecimento de toda essa jornada pioneira ao redor do planeta”.

Recomendo e vou ler, mesmo sabendo que suas teses “pseudo-históricas” são
arrasadas por historiadores de todo mundo.


*Wilson Ibiapina
Jornalista
Diretor da Sucursal do Sistema Verdes Mares de Comunicação
em Brasília - DF
Titular da Cadeira de nº 39 da ACLJ

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