A QUERELA DA DESIGUALDADE
Rui
Martinho Rodrigues*

Como um jogo de soma zero, cada vez que a porção do PIB
entregue aos ricos cresce, a parcela dos pobres diminui. Indignamo-nos diante
do crescente abismo entre ricos e pobres, na forma de uma marcha perversa e
insensata. Antevemos consequências sociais e políticas preocupantes.
Por outro lado, os pobres se enredam cada mais no
consumismo. Consomem aparelhos de telefonia móvel, condicionadores de ar,
automóveis, enquanto frequentam academias de ginástica e compram tantos outros
bens, serviços e utilidades... quero dizer, quinquilharias.


O aparente paradoxo dos pobres que ficam cada vez mais
pobres, desfrutando, porém, de cada vez mais conforto e utilidades, num mundo
em que os ricos acumulam parcelas crescentes da riqueza dos povos. A
contradição é apenas aparente. A riqueza material não é um jogo de soma zero. A
pobreza só é crescente quando comparada com a riqueza dos mais ricos. A pobreza
em termos absolutos, na forma de bens e serviços, quer sejam eles essenciais ou
supérfluos, não diminui de um lado quando a riqueza cresce do outro.
Mas não nos interessa que os pobres estejam tendo mais
conforto e escolaridade, vivendo mais, tendo mais acesso às utilidades. Caso
não tivessem acesso a tais coisas chamaríamos a isso pauperização. Ficaríamos
indignados do mesmo jeito. Mas agora os pobres estão desfrutando cada vez mais
de muitas coisas. Só nos resta a indignação diante da pobreza relativa, que
resulta da comparação entre ricos e pobres.

Por isso negamos a melhoria dos indicadores de qualidade de
vida e denunciamos a pauperização. Temos Dulcineia para defender. Temos moinho
de vento para combater. Temos teorias, digo, temos pangaré
para montar e combater. Só assim poderemos dizer: olhe mamãe, com eu sou sábio,
corajoso e... justo!
*Rui Martinho Rodrigues
Professor e Advogado
Presidente da ACLJ
Titular de sua Cadeira de nº 10
Professor e Advogado
Presidente da ACLJ
Titular de sua Cadeira de nº 10
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