O
VÍDEO QUE
ME
ENVIOU
AUGUSTO
CÂMARA
Humberto
Ellery*
Uma senhora postou um vídeo na Internet, apontando
dois erros do padre de sua paróquia. Em primeiro lugar, ele cometeu um erro
conceitual quando se disse apolítico. Isso não existe. O homem é um animal
político (Aristóteles); talvez ele se pretenda apartidário, o que também não é,
uma vez que tomou partido contrário a um dos candidatos.
Os padres, pastores, rabinos e demais líderes
religiosos têm, mais que o direito, o dever de orientar seus seguidores no
sentido de escolherem seus candidatos segundo suas convicções religiosas de
honestidade e honradez, mostrando o mal que ideologias totalitárias (nazismo,
fascismo, comunismo) têm praticado ao longo da História. Pode orientá-los no
sentido de evitar candidatos corruptos (não é tão difícil reconhecê-los) e
populistas, que oferecem um paraíso inalcançável, ou soluções milagrosas e
inexequíveis, verdadeiras utopias.

O próprio Papa só é infalível quando fala Ex
Catedra sobre questões doutrinárias. O nosso querido Papa Francisco, em
viagem entre o Sri Lanka e as Filipinas, em janeiro de 2015, afirmou que “se o Dr. Gasbarri, que é um grande amigo,
xingar a minha mãe, se prepare para levar um soco”. Com todo o respeito à
Sua Santidade, essa afirmação é uma Heresia, pois contrária à doutrina de Jesus
Cristo de “oferecer a outra face”. Difícil? É, mas quem disse que é fácil ser
cristão?

Quando será que vamos chegar à posição de
equilíbrio desse pêndulo? Chega de mitos, chega de salvadores da pátria, chega
de Jânios, de Collors, de Lulas. Já é tempo de escolhermos um candidato que
fuja desse figurino tão “manjado”, e possamos buscar alguém equilibrado,
sereno, competente, que tenha serviços prestados, alguém que se aproxime do
modelo de um estadista, e não um populista.
COMENTÁRIO
Parece-me
que é justa e legítima a indignação dessa senhora referida no artigo do impagável
Humberto Ellery, confrade de ideias tão límpidas e de tão clara redação. Um
sacerdote não pode usar o púlpito para praticar politicagem.
Em
tese, ele é um pastor de almas e não um defensor de ideias partidárias, de
ideologias políticas, portanto lhe é defeso se postar de perseguidor de candidatos,
ou de adorador de outros, que todos estão devidamente submetidos somente à legislação
eleitoral.
Um
representante do Divino na terra, ele tem que batizar e extrema-ungir, acatar e
perdoar, o rico e o pobre, o ladrão e a sua vítima, o supliciado e o seu algoz, cabendo-lhe, no
máximo, pregar contra o mal, genericamente colocado, bem como aconselhar o
pecador ao seu ouvido.

Aconselhou-o
a seguir o que fizera Antônio Silvino, um bandoleiro precursor, que, ao receber
um indulto de Getúlio Vargas, transferiu-se para Goiás, onde consta que se
tornou um próspero e bem-comportado fazendeiro. Se Virgulino tivesse
escutado o velho padre, teria mantido a cabeça nos ombros e teria salvo a própria alma.
Mas discordo
do brilhante articulista quando diz que padres e Igreja não se podem confundir.
Ora, e o que é a Igreja, se não o seu corpo eclesiástico? Serão os prédios, os
templos, as relíquias que eles guardam? Inclusive legalmente, qualquer
pessoa jurídica se constitui de seus integrantes, confunde-se com estes e é por
eles e por seus atos responsável.
Quanto
ao Capitão Bolsonaro, que por sinal é católico praticante, trata-se realmente
de um candidato mitológico – assim como Lula da Silva – de modo que nada que se
diga dele, ou que se deixe de dizer, vai interferir no seu patrimônio eleitoral
– nem para menos, nem para mais.
Pode
ser que Bolsonaro não se eleja nesse pleito majoritário, como pode ser que o
Lula nem seja candidato. Mas tenho certeza de que seus respectivos eleitorados
estão absolutamente definidos, pois que não se demove lulistas e bolsonarianos
da sua paixão respectiva – que não se alterará por qualquer infâmia, nem se
transferirá por qualquer argumentação racional.
Reginaldo
Vasconcelos
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