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segunda-feira, 30 de julho de 2018

ARTIGO - O Vídeo Que Me Mandou Augusto Câmara (HE)


O VÍDEO QUE
ME ENVIOU
AUGUSTO CÂMARA
Humberto Ellery*



Uma senhora postou um vídeo na Internet, apontando dois erros do padre de sua paróquia. Em primeiro lugar, ele cometeu um erro conceitual quando se disse apolítico. Isso não existe. O homem é um animal político (Aristóteles); talvez ele se pretenda apartidário, o que também não é, uma vez que tomou partido contrário a um dos candidatos.

Os padres, pastores, rabinos e demais líderes religiosos têm, mais que o direito, o dever de orientar seus seguidores no sentido de escolherem seus candidatos segundo suas convicções religiosas de honestidade e honradez, mostrando o mal que ideologias totalitárias (nazismo, fascismo, comunismo) têm praticado ao longo da História. Pode orientá-los no sentido de evitar candidatos corruptos (não é tão difícil reconhecê-los) e populistas, que oferecem um paraíso inalcançável, ou soluções milagrosas e inexequíveis, verdadeiras utopias.

Mas a senhora, que me pareceu indignada, também cometeu alguns equívocos. Em primeiro lugar, fez uma confusão entre os padres e a Igreja. Padres, mesmo fazendo parte de instituições católicas, como a CNBB, cometem barbaridades que não podem ser atribuídas à Igreja. Eles fazem parte da Igreja, mas não são a Igreja.

O próprio Papa só é infalível quando fala Ex Catedra sobre questões doutrinárias. O nosso querido Papa Francisco, em viagem entre o Sri Lanka e as Filipinas, em janeiro de 2015, afirmou que “se o Dr. Gasbarri, que é um grande amigo, xingar a minha mãe, se prepare para levar um soco”. Com todo o respeito à Sua Santidade, essa afirmação é uma Heresia, pois contrária à doutrina de Jesus Cristo de “oferecer a outra face”. Difícil? É, mas quem disse que é fácil ser cristão?

Não gostaria de tecer comentários acerca do candidato Bolsonaro, mas me parece que a senhora indignada está escolhendo seu candidato por enxergar nele o contrário do lulismo que, sim, infelicitou nosso País. Mas talvez ela não tenha percebido que o candidato é apenas e tão somente a outra face de uma mesma moeda: trata-se de um Lula com o sinal trocado.

Quando será que vamos chegar à posição de equilíbrio desse pêndulo? Chega de mitos, chega de salvadores da pátria, chega de Jânios, de Collors, de Lulas. Já é tempo de escolhermos um candidato que fuja desse figurino tão “manjado”, e possamos buscar alguém equilibrado, sereno, competente, que tenha serviços prestados, alguém que se aproxime do modelo de um estadista, e não um populista.



COMENTÁRIO

Parece-me que é justa e legítima a indignação dessa senhora referida no artigo do impagável Humberto Ellery, confrade de ideias tão límpidas e de tão clara redação. Um sacerdote não pode usar o púlpito para praticar politicagem.

Em tese, ele é um pastor de almas e não um defensor de ideias partidárias, de ideologias políticas, portanto lhe é defeso se postar de perseguidor de candidatos, ou de adorador de outros, que todos estão devidamente submetidos somente à legislação eleitoral.

Um representante do Divino na terra, ele tem que batizar e extrema-ungir, acatar e perdoar, o rico e o pobre, o ladrão e a sua vítima, o supliciado e o seu algoz, cabendo-lhe, no máximo, pregar contra o mal, genericamente colocado, bem como aconselhar o pecador ao seu ouvido.

Aliás, como se diz ter feito o nosso inolvidável Padre Cícero, que em sede privada teria repreendido pessoal e vigorosamente o Cangaceiro Lampião, dizem que até brandido o seu cajado simbolicamente contra o bandido genuflexo diante dele.

Aconselhou-o a seguir o que fizera Antônio Silvino, um bandoleiro precursor, que, ao receber um indulto de Getúlio Vargas, transferiu-se para Goiás, onde consta que se tornou um próspero e bem-comportado fazendeiro. Se Virgulino tivesse escutado o velho padre, teria mantido a cabeça nos ombros e teria salvo a própria alma.

Mas discordo do brilhante articulista quando diz que padres e Igreja não se podem confundir. Ora, e o que é a Igreja, se não o seu corpo eclesiástico? Serão os prédios, os templos, as relíquias que eles guardam? Inclusive legalmente, qualquer pessoa jurídica se constitui de seus integrantes, confunde-se com estes e é por eles e por seus atos responsável.

Quanto ao Capitão Bolsonaro, que por sinal é católico praticante, trata-se realmente de um candidato mitológico – assim como Lula da Silva – de modo que nada que se diga dele, ou que se deixe de dizer, vai interferir no seu patrimônio eleitoral – nem para menos, nem para mais.

Pode ser que Bolsonaro não se eleja nesse pleito majoritário, como pode ser que o Lula nem seja candidato. Mas tenho certeza de que seus respectivos eleitorados estão absolutamente definidos, pois que não se demove lulistas e bolsonarianos da sua paixão respectiva – que não se alterará por qualquer infâmia, nem se transferirá por qualquer argumentação racional.

Reginaldo Vasconcelos
                     


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