DESTAQUES CEARENSES

DESTAQUES

CEARENSES

Edição

2020

Alexandre Sales

Troféu Empreendedores

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Igor Queiroz Barroso

Troféu Benemerência

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Cabeto Martins Rodrigues

Troféu Prasino Angelos

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PALAVRA DO ANO

EM 2020

“PANDEMIA”

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SENTIMENTO

MAIS DEMANDADO

EM 2020

“RESILIÊNCIA”

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sábado, 21 de julho de 2018

APRECIAÇÃO LITERÁRIA - Elogio aos Doutores e Outras Mensagens (VM)


Elogio aos Doutores
e outras Mensagens
(Antônio Martins Filho)

Vianney Mesquita*



Porre de livros – ressaca de cultura! (Dito popular).



Há exatos 35 anos, o Reitor Antônio Martins Filho – tipógrafo aos 11 anos – iniciou a Coleção Alagadiço Novo, da Casa de José de Alencar da U.F.C., editando livros de qualidade, todos saídos das oficinas da sua Imprensa Universitária. Inaugurou o empreendimento o clássico Iracema, após o qual, até o passamento do Reitor-Fundador da Universidade Federal do Ceará, em 2002, foram produzidas muitas dezenas de trabalhos de literatura – verso e língua prosa – ensaios acadêmicos e noutros gêneros passíveis de publicação para recheio da cultura do nosso Estado e do País.

Tivemos a grata experiência de editar, por duas vezes, com o selo da expressa Coleção, Resgate de Ideias – Estudos e Expressões Estéticas (1996, 192 p) e A Escrita Acadêmica – Acertos e Desacertos (1998, 204 p), este em parceria com o Reitor José Anchieta Esmeraldo Barreto, bem como de assessorar o Dr. Martins Filho no preparo de algumas edições.

O volume de número 60 da Alagadiço Novo (1995) é este do título destas notas, para o qual escrevemos, a rogo do Autor, as guarnições do livro, expressas no texto seguinte, com algumas modificações, a fim de adaptar a escrita à atualidade, haja vista o dinamismo da Língua Portuguesa.

Falece razão a quem preludia, retirando do leitor o hours d’ouevre do repasto principal, adiantando tramas e narrando lances, de sorte a desprover o texto do virgíneo estado em que o quis deixar seu autor.

Assim como não se conta filme, é inconveniente se proceda a comentários, conquanto ligeiros, acerca do conteúdo intrínseco deste livro. É a mais nova produção de enorme bom gosto, da lavra de um escritor que já nos deixa epônimo, mercê da copiosidade de sua qualificada produção nos mais diversificados temas e motivos humanos.

Isto porque a obra martinsiana escrita – eis o novo epônimo – é, apenas, a “estrelita” Antares ante a incomensurável grandeza de Belteljauza, tal a magnitude de seu labor intelectual configurado na inefável acumulação dos seus feitos. Non omnia moriar – falou Ovídio para Antônio Martins Filho, n’ As Metamorfoses. Como ocorreu com Públio Ovídio Nasão, nosso autor “jamais morrerá completamente”.

Eis que o “Cardeal John Henry Newman do Século XX” fez universidades, transpondo o trivium e o quadrivium, que continham as Sete Artes Liberais. O “Johann Fust do Cariri” doa aos acervos da Humanidade, seus e doutros, livros a mancheia... para o povo pensar (Castro Alves), muito além da Bíblia de Mogúncia. Legou-nos, o “Abraão moderno”, uma prole de intelectuais, homens e mulheres de bem, muito mais do que um solitário Isaac. Deixa-nos, entre a multiplicidade de legados, que custarão a caber em codicilos e testamentos, o exemplo de coragem, denodo e determinação, “vivendo como cigarra” – disse, remetendo-se a Jean de La Fontaine.

Não é, porém, numa aba francesa de livro que se pretende, como se fora um CD-ROM, armazenar toda a excelsa produção do Prof. Antônio Martins Filho. Todos cantam em metro e prosa a excepcional faculdade do Autor de reter ideias e fatos, não se sabendo de que processos mnemônicos se utiliza para uma retentiva tão segura, a mesma que James Amado divisou em Graciliano Ramos, nas evocações do cárcere. Sua memória, cujo conteúdo ele se apresta a registar em escritos de arte, ciência e até de tecnologia, é uma fotografia de perfeita definição, um hot medium, na acepção mcluhaniana, também materializada nesta seleção de escritos esparsos que houve por muito bem editar.

Umberto Eco abona este salutar expediente, quando diz que as próprias coletâneas [...] podem ser encaradas como uma galáxia de observações não totalmente desconexas, entre as quais quem lê poderá estabelecer as ligações que lhe pareçam oportunas.

Elogio aos Doutores e outras Mensagens reúne escritos estéticos, ensaios, textos de história e historiografia, grandes coisas, muitos fatos, imensos homens, numa seleta de interessante e diversificada temática, reavendo excertos inéditos ou de há muito publicados em media impressos de pequena circulação. É livro de matéria vária que, além de enfeixar assuntos de grande interesse e valor, encerra a vantagem de, como numa obra do mais difícil dos gêneros – o conto – ter o leitor, a cada curto segmento, a oportunidade de rematar um tema, porquanto não há liames rígidos entre as partes do todo.

Honra-nos aos cearenses esta pertença à espécie de Antônio Martins Filho, que nos oferta este regalo da maior acuidade intelectual em plena quadra do Advento – dezembro de 1995.




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