A HORA DO ANGELUS
Wilson Ibiapina*

Diariamente, ao cair
da tarde, logo após as 18 badaladas, o alto-falante instalado no alto da igreja
começava a tocar a Ave Maria, de Charles Gounod. A Hora do Angelus, inventada
pela Igreja para que os católicos lembrem em preces e orações o momento em que
o Anjo Gabriel anunciou a Maria a concepção de Jesus, o momento da
Anunciação.
Quando mudei para
Fortaleza, a Hora do Angelus chegava à nossa casa pelas emissoras de rádio.
Essa devoção tem origem na tradição franciscana. Ao toque do sino, quando do
romper da manhã, os cristãos veneravam a Virgem Maria, recitando três
ave-marias, intercaladas por três versículos bíblicos. Mais tarde, começou-se a
rezá-lo mais uma vez, ao meio-dia. E mais tarde ainda, pelo século XIV,
recitava-se o ângelus também ao entardecer.

Lembro a Rádio Tupi do
Rio. Todo dia, após a hora do Angelus, entrava uma crônica, ao som da melodia
"Moonlight Serenade", com Glenn Miller e sua orquestra, que
terminava com o Carlos Frias dizendo "o meu boa noite para você". Na
Rádio Tamoio, que hoje pertence ao Sistema Verdes Mares de Fortaleza, tinha no
horário o programa Pausa para Meditação. Os ouvintes escreviam contando seus
problemas e terminavam as cartas com a frase “Me aconselha, seu Júlio
Louzada!"
Em Fortaleza, a pausa
para meditação era comandada por José Limaverde, pai de Narcélio e Paulo
Limaverde. A Rádio Iracema apresentava a Hora do Pobre, logo após a Ave Maria.
O programa era apresentado pelo Padre Paixão, que recebia pedidos de ajuda
através de cartas, já que naquela época, anos 50/60, telefone era coisa rara.

*Wilson Ibiapina
Jornalista
Diretor da Sucursal do Sistema Verdes Mares de Comunicação
em Brasília - DF
Titular da Cadeira de nº 39 da ACLJ
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