NEVOEIRO E BAIXA VISIBILIDADE
Rui Martinho Rodrigues*
Os acontecimentos frenéticos da Lava
Jato, somados às diversas crises superpostas, afetando os campos econômico,
moral e político restringem a visibilidade necessária às conjecturas
prospectivas. Não sabemos, ao fim e ao cabo, quem sobreviverá; que novas
lideranças emergirão dos escombros; se agremiações políticas serão destruídas
ou sobreviverão; e quais serão as possíveis mudanças institucionais. Temos um
nevoeiro de baixa visibilidade na vida pública. Não sabemos se as instituições
sairão mais fortes ou fragilizadas. Os limites da judicialização da política,
inevitavelmente associado à politização do Judiciário, ainda não estão
definidos. Não sabemos sequer se a ordem jurídica e política sobreviverá.
Todos vislumbram uma faxina em regra.
Os novos meios de investigação de que dispõe a polícia técnica, seja na forma
de gravações, grampos, rastros eletrônicos de transações financeiras, abertura
dos sigilos bancários nos paraísos fiscais mediante precatório e,
principalmente, o direito premial, que oferece sedutoras oportunidades de
barganha, ensejando a quebra da “lei do silêncio” reinante nas organizações do
tipo mafioso. Apesar do nevoeiro, a corrupção certamente se tornará uma
atividade cujos riscos serão cada vez mais altos.
A visão maniqueísta da política
dividia os homens públicos e os partidos em dois grupos: o dos heróis virtuosos e o dos vilões. Agora parece destinada ao museu dos equívocos lamentáveis. Os problemas
nacionais podiam ser solucionados pela vontade política, mas o voluntarismo não foi
suficiente. Equívoco ou falta de vontade virtuosa?




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