O ESQUECIMENTO
Rui Martinho Rodrigues*

A imprensa esqueceu de registrar a
interferência indevida do Executivo no Judiciário. Decisões judiciais podem ser
contestadas pela via recursal, tendo ainda o Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
como alternativa. Não cabe ao Executivo fazer gestos políticos reagindo às
decisões judiciais.
Lula agora diz que teria prestado
depoimento sem a necessidade da medida coercitiva. Esqueceu que havia se
declarado “de saco cheio” com a Lava Jato e que não iria mais depor. Esqueceu que
havia até impetrado Habeas Corpus
para não ser obrigado a depor. Agora diz que se quiserem pegá-lo vão ter de
fazê-lo nas ruas, aludindo ao enfrentamento com a militância agressiva que o
apoia. Esqueceu o papel de Lulinha paz e amor.

O ex-presidente – e o coro afinado dos
seus aliados – agora dispara uma metralhadora giratória apontando corruptos na
oposição. Pretende, com isso, dizer que as investigações atualmente em curso
são seletivamente dirigidas contra ele e o seu partido, retirando-lhes toda
legitimidade.
Lula esqueceu que durante os seus três mandatos anteriores, nos quais
diz ter patrocinado o combate a corrupção, a bandalheira dos tucanos não foi
investigada. Sabendo disso e não tendo patrocinado a persecução penal, por meio
de ofício à PF para estabelecer procedimento investigativo, fica caracterizado
o crime de omissão. Isto é: confessa que prevaricou.
Esquece o presidente Lula que os
alegados crimes dos seus adversários não o absolvem das suas próprias culpas.
Esquece que o Juiz Moro não pode ser responsabilizado pela alegada impunidade
dos adversários do PT, porque juízes são obrigatoriamente inertes, não podem
ter a iniciativa da persecução penal.
Enfim, Lula alega inocência. Só esqueceu
de explicar porque:
a) houve pagamentos semanais entre
setenta e noventa mil reais, decorrentes das despesas com a reforma do sítio,
feitos em dinheiro vivo;
b) as palestras com as quais ganhou
vinte milhões de reais, são proferidas às ocultas, pois a imprensa nunca foi
convidada a comparecer às mesmas, nem se tem notícia sobre o local em que são
realizadas ou de quem as tenha assistido;
c) sendo um homem rico, que ganhou
vinte milhões em dois anos dando palestras, desfruta de sítio alheio, de
apartamento de praia alheio, de jatinho particular alheio e de apartamento
alheio para residir;

e) os amigos generosos são só os
empresários envolvidos nos escândalos do petrolão;
f) e, finalmente, porque, reconhecendo
na “elite branca” a culpa de todos os nossos males, mantém relações tão
promíscuas com integrantes da citada elite.
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