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sábado, 22 de setembro de 2018

ARTIGO - O Futuro do Brasil na Encruzilhada (RV)


O FUTURO DO BRASIL
NA
ENCRUZILHADA
Reginaldo Vasconcelos*



Passou o Sete de Setembro, sem a mesma vibração patriótica que a República merecia no passado. Cinco dias antes, a antiga Capital Federal, por absoluta incúria administrativa, reduzira a fumaça e cinzas boa parte da nosso passado, deixando que o Museu Nacional fosse consumido pelas chamas, numa tragédia anunciada.

Agora o trem do destino deste grande e sofrido país segue célere para o futuro, e uma vertiginosa curva já se vislumbra no horizonte – as eleições de 7 de outubro – passados 35 dias da incineração da nossa História e exatamente um mês daquele desanimado “Dia da Pátria”, com o seu desfile burocrático.

Não se ouviram tambores de colégios ensaiando a marcha, não se viram bandeirinhas nas mãos das crianças, não havia sorrisos francos nos rostos das autoridades nos palanques, nem aplausos efusivos dos que assistiam da calçada à parada militar. A imprensa, por sua vez, cobriu o evento entre bocejos e muxoxos.

Agora recebemos em casa pela TV e no carro pelo rádio uma enxurrada de mentiras, de promessas vãs, de anúncios de sabonetes de fórmulas eficazes contra a escabiose nacional – tudo produzido exatamente por velhos protagonistas da desgraça do País – os quais, usando dinheiro do erário na propaganda de campanha, tentam manter o povo, como sempre, sob transe político-hipnótico.


Há um candidato de fato à Presidência da República recolhido à cadeia, apoiado nas ruas e nos presídio pelos colegas de infortúnio. Há um outro candidato convalescendo no hospital, vítima de atentado a faca, cometido por um miserável notório, entretanto logo assistido por quatro bons advogados.

A ideia era que ele matasse o candidato mais cotado, e em seguida fosse morto pela polícia, ou linchado pelo público, imolando-se imediatamente pela sua causa torpe. Era um plano perfeito, caso tivesse funcionado.

Preso em flagrante, crime registrado em vídeo, criminoso confesso, logicamente toda essa esquadrilha jurídica milionária que aterrissou em Minas Gerais em seu socorro se presta a tentar evitar que ele confesse quem o induziu ou contratou.

Os demais concorrentes, que pleiteiam o cargo de Presidente da República, tirante o preso e o ferido, são agora meros coadjuvantes – e é triste vê-los gastando o latim e os sapatos pelas ruas do País, consumindo inutilmente a verba eleitoral, dizendo que farão isso e aquilo, quando as consultas populares mostram que eles não farão nada, porque ficarão pelo caminho.

Os eleitores se dividem então de forma massiva entre o candidato improvisado, que substitui o preso e representa a “situação”, na linha sucessória dos mais recentes três Governos – e o outro candidato, de origem militar, eminentemente conservador, que prega medidas radicais contra os ímpios da velha política nacional.

Este último, desprovido de habilidade política, temperamental e estouvado, sem promessas simpáticas ao povo, à míngua de uma plataforma de governo minuciosamente elaborada, tem crescido exponencialmente nas estatísticas, sem sofrer grandes desgastes.

Mantem-se ele em relativo silêncio, só mitigado por mensagens na Internet – e sem o corpo-a-corpo que vinha fazendo com o seu eleitorado – beneficiando-se entretanto, ironicamente, pela recomendação médica e pela internação hospitalar. Se não fala, e se não se expõe em debates, não se queima e fica incólume.

Se ele era um mito comparável ao “Herói da Capadócia”, fustigando, de sobre o cavalo da decência, o dragão da improbidade, tornou-se um mártir, agora investido na sofrida figura sebastiana – e por isso mesmo decola para a vitória, brandindo as armas de Jorge e ostentando as flechas e o sangue do supliciado narbonense.    

Aquele outro, que rivaliza com o líder e o secunda nas pesquisas, tenta restaurar o bom conceito do seu partido, que ao longo dos anos foi destroçado pelos fatos. Quer descolar-se dos escândalos financeiros, da persecução criminal contra muitos dos correligionários, da presidente deposta, do aliado que herdou os destroços do Governo, enfim, justificar ou explicar tantos insucessos e fracassos.

Sim, esta é a novela dantesca em que o Brasil está enredado, o povo todo entre a dúvida e a incerteza, entre o perigo e o risco, entre o mau e o pior, sacudido entre o medo dos crimes elegantes e o pavor dos crimes de sangue, para decidir a quem entregar os destinos nacionais.

É uma grande encruzilhada. Não há como fugir dela. Omitir-se não resolve. Não vale morrer. Resta-nos apostar na sorte, saltar no escuro, e rogar a Deus que nos proteja.




COMENTÁRIO

Iguais são minha mágoa e revolta, porém, sou ainda mais pessimista, pois entendo que nossa pátria estremecida, infelizmente, está na descensão rapidíssima para se "venezuelizar".

Enorme artigo, da agricultura de um patriota arguto e brasileiro fiel. Meus sinceros emboras, Presidente, pelo texto paradigmático!


Vianney Mesquita

 

Um comentário:

  1. Iguais são minha mágoa e revolta, porém, sou ainda mais pessimista, pois entendo que nossa pátria estremecida, infelizmente, está na descensão rapidíssima para se "venezuelizar".
    Enorme artigo, da agricultura de um patriota arguto e brasileiro fiel. Meus sinceros emboras, Presidente, pelo texto paradigmático!

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