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sexta-feira, 28 de setembro de 2018

ARTIGO - Entre o Espeto e a Brasa (HE)


ENTRE O ESPETO E A BRASA 
Humberto Ellery*


O ano de 2016 poderia ter significado o fim do PT, pelo menos como um grande partido. Nas eleições para prefeito daquele ano a sigla sofreu a pior derrota entre todas as legendas, sob qualquer aspecto.

Em resumo: de cerca de 700 prefeituras conquistadas em 2012, com 17,2 milhões de votos, conseguiu em 2016 apenas 254, com inexpressivos 6,8 milhões de votos.

Perdeu principalmente a joia da coroa, a prefeitura de São Paulo, ainda no 1º turno. Perdeu também a metade dos seus vereadores, um encolhimento geral de cerca de 60%.

Em maio já perdera a Presidência da República, com o afastamento de Dilma, cujo Impeachment se confirmou no final de agosto.

Todas essas derrotas políticas e eleitorais, somadas ao desnudamento de seus crimes, faziam prever um fim melancólico para o partido, que estava havia treze anos no poder, com muito dinheiro em caixa (surrupiados dos cofres públicos), e um projeto de perpetuação no poder, que felizmente não se concretizou.

Foi então que uma série de coincidências favoráveis aos petistas, somadas a uma resiliência política impressionante, iniciaram um processo de ressuscitação do partido. Esse processo nos trouxe a uma eleição presidencial que, para nós liberais, conservadores e não-petistas, é uma verdadeira “sinuca de bico”. Estamos entre o espeto e a brasa.

É claro que todos os fatores que foram se conectando, de modo favorável ao ressurgimento do PT no cenário eleitoral como um ator competitivo, capaz de mais uma vez abiscoitar a Presidência da República, não fizeram parte de um projeto planejado e executado com maestria por seus próceres.


Seria necessária uma mente malignamente petista, formada por cérebros privilegiados, uma soma de Maquiavel, Gramsci e Golbery (para adicionar um toque brasileiro) para alcançar tal intento. Mas o fato é que o quadro que se desenhou ficou “como o Diabo gosta”; para o PT foi melhor que a encomenda.

Dentre os diversos movimentos do período, a persecução aos políticos corruptos, altamente louvável, transmudou-se, por conta de uma vaidade sem limites de alguns membros do Ministério Público e do Poder Judiciário, numa verdadeira razia contra a classe política, como se todos fossem “farinha do mesmo saco”, o que, absolutamente, não é verdadeiro.

O maior símbolo do que eu chamo de “Projeto de Extinção da Classe Política” é a famosa “Lista da Odebrecht”, em que são detratados políticos do maior respeito, como Aldo Rebelo, Jarbas Vasconcelos, Osmar Terra, Ana Amélia, Raul Jungmann, Roberto Freire, Arthur Virgílio, e muitos outros mais da mesma estirpe.

Eles foram lançados pelo Sr. Rodrigo Janot e o Ministro Edson Fachin na mesma lama em que chafurdam Eduardo Cunha, Jader Barbalho, Renan Calheiros, Sérgio Cabral, Anthony Garotinho, Agnelo Queiroz, Gleisi Hoffmann e muitos outros. A tal lista traz no total os nomes de quatrocentos e quinze políticos, de vinte e seis partidos.

Nem o Lula chegou a tanto, pois dizia que havia apenas trezentos picaretas no Congresso Nacional (e ninguém entende mais de picaretagens do que ele). Acontece que quando todos os concorrentes são atirados na lama, vence a corrida quem já está habituado a chapinhar no chiqueiro. Adivinhou quem pensou no Lula.

A rapidez com que o Juiz Sérgio Moro, certamente com a melhor das intenções, levou adiante o processo contra “a Jararaca de Garanhuns”, e o TRF-4 bateu todos os recordes na sua tramitação em segunda instância, negando a famosa leniência de nossa Justiça, deu ao ex-presidente uma imagem de vítima, uma bandeira de mártir, de perseguido injustamente, enfim, de “preso político”, o que nada mais é do que falácia. Mas o PT não precisa de verdades para lutar contra seus adversários.

Outro fator favorável derivou das pesquisas eleitorais, que estão sendo marteladas pela mídia há mais de um ano, sempre mostrando o Lula na frente, com cerca de 30% das preferências do eleitor.

Não vou fazer afirmações irresponsáveis acerca dos Institutos de Pesquisas, de sua honestidade, competência e até de um eventual petismo. Não afirmo o que não posso provar. Mas ninguém pode negar o forte efeito indutor de tais pesquisas, que têm um histórico de erros e imprecisões enormes, quase sempre a favor do PT.

Para completar o quadro favorável ao PT surgiu na Câmara dos Deputados, lá nos corredores esquecidos do “baixo clero”, um deputado constrangedoramente despreparado que encarnou, à perfeição, o seu adversário favorito.

Trata-se de um Mito, no estrito sentido da palavra, algo legendário que não tem existência real, e com uma imagem virtual muito maior que ele próprio, que me parece honesto e bem intencionado, que defende princípios cristãos, é contra o aborto, a política de cotas, o kit gay, é a favor de armar a população para combater a criminalidade, diz que “bandido bom é bandido morto”, e conseguiu arrastar atrás de si enorme parcela da população, que compartilha com ele a indignação com o atual quadro político, com o antipetismo que ele demonstra, e que também “é contra tudo isso que está aí”.

Afirma também que  não vai “lotear o ministério em troca de apoio”, nem vai “negociar” a aprovação de projetos com o Congresso Nacional, que considera totalmente corrupto! Vai reeditar a “Política dos Governadores”, que fez sucesso na “República Velha” (1889/1930).

Caso o Haddad vença a eleição, o que é muito provável, no dia seguinte o Brasil vira uma espécie de PCC, ou Comando Vermelho, pois vai ser comandado de dentro de um presídio. Teremos um novo poste, tão ou mais pernicioso que a Dilma, com a (des)vantagem deste ser realmente Doutor, ao contrário daquela, que alegou uma formatura improvável.

O Haddad é bacharel em Direito, Mestre em Economia e Doutor em Filosofia. É aquilo que o matemático e ensaísta libanês Nassim Taleb chama de I Y I (pronuncia-se em inglês ai-uai-ai – Intellectual Yet Idiot – que significa “intelectual ainda idiotizado), como costumam ser os intelectuais marxistas. O candidato do PT, se eleitor, vai repetir o descalabro Dilma – porque não foi a burrice que fez naufragar governo dela, mas a ideologia, a mesma que professa o poste Haddad. 

Por outro lado, caso o Bolsonaro vença a eleição, o PT vai assumir a oposição, vai fazer o que sabe fazer melhor: atrapalhar, impedir o governo de realizar qualquer coisa, que mesmo sendo de interesse do País, não corresponda às suas idiossincrasias ideológicas. De dentro do presídio virão ordens para queimar ônibus, interditar cruzamentos rodoviários com pneus em chamas, greves em profusão, invasões de autarquias, fazendas, prédios públicos, e toda sorte de manifestações que fazem a alegria das hostes mortadelas.

Não consigo perceber no Mito a mínima competência para afrontar o PT e sua “Máquina de Assassinar Reputações”, principalmente porque ele nunca demonstrou um mínimo de liderança (em sete mandatos participou de nove partidos, quase todos nanicos, e nunca foi líder de nenhum deles), não tem um partido forte atrás de si, e não pretende “negociar” apoios no Parlamento.



Ficamos assim: Bolsonaro X Haddad  . “Se correr o bicho pega; se ficar o bicho come”.



COMENTÁRIO

Magnífica reflexão de Humberto Ellery, competente e apaixonado ensaísta político. Porém, a meu juízo, cumpre escoimar alguns exageros cometidos ao longo de seu exercício de retórica, sem embargo de que, ao fim e ao cabo, o raciocínio que desenvolve leva à percuciente conclusão já indicada desde o título – o agudo dilema destas eleições. 

Primeiro, não me consta que a mentira e a improbidade sejam inerentes à ideologia socialista, com os seus nobres contornos teóricos originais, sociais e humanitários, que, como infelizmente não funcionam na prática, passam a justificar todos os meios para a sua consecução. 

Socialistas mentirosos e ladrões, são, portanto, excrecências  distorções ideológicas. Desta sorte, foi a prática canhestra de uma pseudo ideologia socialista, além de pura estupidez e arrogância, que levaram o Governo de Dilma Rousseff ao fracasso.  Enfim, penso que as práticas político-administrativas viciosas defluem da ganância econômica e da sede de poder dos indivíduos, indiferentemente à sua bandeira ideológica.

No caso dos governos de direita, locupletam-se por via da livre obtenção e concentração de capital espúrio, através da manipulação desonesta dos “tecidos moles” do sistema democrático; em se tratando da esquerda, pela aplicação das rígidas estruturas ósseas do regime marxista e da afiada queratina autoritária que caracteriza as ditaduras.

Segundo, o apodo de “mito”, que do grego indica “fábula”, foi conferido ao Bolsonaro pelo seu próprio eleitorado, de modo que a palavra, neste caso, não transporta o sentido  de “fabular”, de algo que não exista no real, mas tem a semântica de “fabuloso”, aquilo que, de tão excepcional e surpreendente, conquista o aplauso popular.

Terceiro, não vigora o argumento de que Bolsonaro não governará bem em sendo eleito porque em tantos anos de mandato nunca liderou ninguém, nem demonstrou habilidade para negociar com o Parlamento, pois durante o tempo todo ele foi crítico do establishment, e combateu severamente a estrutura corrupta e autoprotetora que ele se propõe a detonar, de modo que, pelo menos, a sua coerência política se preserva.

Reginaldo Vasconcelos
   

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