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terça-feira, 12 de março de 2019

POEMA - Soneto Decassilábico Português - Chavões e Ditados - II (VM)


CHAVÕES E DITADOS – II
Vianney Mesquita



Muito acertado anda quem suspeita que erra sempre. (QUEVEDO).


No fim do túnel existe uma luz,
Desde o rio Chuí ao Oiapoque,
Cada qual leva, pois, a própria cruz,
Enfim, à prova ninguém é de choque.

Derrota esmagadora é que conduz,
Sob o prisma expresso deste enfoque,
Quem, além do embigo, não aduz
A visão ardilosa de um escroque.

Do poço, aquele que está no fundo
Em todos os quatro cantos do mundo,
Dest’água, eternamente vai beber.

Se estiver postado em caos profundo,
Verei, decerto, seu revés rotundo
Com estes olhos que a Terra há de comer.






COMENTÁRIO

O exercício da comunicação vai oportunizando e exigindo que se criem fórmulas de dizer com maior facilidade e precisão aquilo que se quer expressar. Certamente em todas as línguas surgem expressões idiomáticas, gírias, neologismos, frutos do esforço natural envidado pelos falantes e escreventes para transmitir a sua cerebração – aquilo que pensam, que sentem, que viram, que sabem.

É disso que trata o nosso Prof. Vianney Mesquita, desta vez por meio de um soneto catita, bem-humorado, “embalando para sedex” a sua mensagem informativa e paradidática acondicionada em poesia, cujo destinatário é o leitor interessado em saborear os velhos usos do nosso idioma lusitano, e escrutinar os novos, para deleite do espírito e do intelecto.

Interessante que as gírias e expressões vão de tal forma se incorporando à fala que as seguidas gerações as percebem muitas vezes como vocábulos clássicos mais antigos e embolorados, e as vão substituindo por novas formas de dizer.

Por exemplo, o Sílvio Santos, veterano apresentador de televisão, costuma indagar retoricamente aos entrevistados, quando duvida do que afirmem: “No duro?”. Meus velhos pais, por seu turno, gostavam de referir a algo intolerável dessa forma: “É fogo!”.

Hoje se diz “tipo”, “chocante”, “sinistro”, “azarar”, “malhar”, palavras velhas a que são dadas novas acepções, e que vão sendo substituídas por futuras levas de falantes, como as antigas “bacana”, “mora”, “bicho”, que nasceram nos anos 60, ainda são gírias inteligíveis, mas superadas pela moda.

Já as expressões idiomáticas são todas elas inventadas por um criativo redator ou orador, e depois se tornam “lugares comuns”, como, por exemplo, chamar ponto turístico de “cartão postal”. Cartão postal era uma lembrança fotográfica de viagem que nem se usa mais, mas virou “clichê” – aliás, palavra que significa uma peça de tipografia que reproduz sempre a mesma imagem – objeto que também já está fora de uso.

Reginaldo Vasconcelos  
  


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