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quarta-feira, 27 de março de 2019

PARÓDIA - Oh, Maminha! (LC=VM)


OH, MAMINHA!
Luz de Canhões*

Oh maminha senil que te partiste
Com medo desta serra renitente
É cousa de beréu impenitente...
M’esquiva eu cá da perra que me assiste!

No momento funéreo em que cindiste
A escória desta lida putrescente,
Jamais te esqueças do fedor ingente
Que já do olfato meu também sentiste.


Se tu vires que podes esquecer-te
Da cousa: o mau odor que me restou
Da água – oh que tédio – a corromper-te,

Ora a Zeus, que teus planos abreviou,
Que tão cedo daqui leve a comer-te
Quem, ledo, sob escolhos, te cheirou.




NOTA DO EDITOR

Paródia configura um arremedo burlesco de um texto de prosa ou poesia. Luz de Canhões é o pseudônimo (neste soneto) de Vianney Mesquita.

O autor parodia o célebre soneto de Luís de Camões, dedicado a Dinamene (Tin Nam Men), ninfa aquática (nereida) chinesa, uma das 50 filhas de Nereu, inserida na Ilíada, de Homero.

Decerto, de caso pensado, critica o cacófato que há no soneto de Camões, na expressão Alma minha gentil que te partiste – maminha – que gerou a paródia.

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ALMA MINHA GENTIL, QUE TE PARTISTE
Luiz Vaz de Camões

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento Etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente,
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Algũa cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.



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