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terça-feira, 2 de outubro de 2018

CRÔNICA - O Bagual e o Gaudério (HE)



O BAGUAL E O GAUDÉRIO
Humberto Ellery*


Antes de tudo, deixem-me “traduzir” essas duas palavras do dialeto gauchês. “Bagual” é um cavalo indomado, xucro, arisco; e “gaudério” é o que nós chamamos caipira, aquele rapaz do campo, meio ingênuo.

Consta que certa vez, num Quartel de Cavalaria da Brigada Militar, no Rio Grande do Sul, o sargento dirigiu-se a um grupo de recrutas que estavam em seu primeiro dia de brigadistas e perguntou energicamente: “Quem de vocês nunca montou em um cavalo?” Suprema desonra para um gaúcho macho, um gaudério meio apalermado respondeu: “Eu, sargento. Eu nunca montei na minha vida”.

O sargento olhou para o gaudério e, com um ar entre a raiva e o desdém, chamou o rapaz : “Me acompanhe”. Dirigiram-se então para a estrebaria do quartel onde logo avistaram um baita de um bagual bufando, soprando fogo pelas ventas, empinando e dando saltos no ar para escoicear o minuano (vento frio que sopra no Sul).

O sargento, olhando com ar sarcástico para o gaudério, tornou a perguntar: “Quer dizer então que tu nunca montaste em tua vida? Pois este cavalo também nunca foi montado”. E sentenciou: “Vocês vão aprender juntos”.

Mutatis mutandis, os eleitores do Bolsonaro estão dando por montaria, a quem nunca demonstrou a menor competência de governo, (nunca governou nem uma prefeiturazinha), um país enorme, complexo, tentando sair de uma crise, e, como disse o Tom Jobim: “não é para principiantes”.





COMENTÁRIO

Pois eu completo a história que  Humberto Ellery se poupou de terminar: o gaudério subiu no bagual e o domou completamente. Ninguém nasce experiente, e a sorte do principiante é fato recorrente e inconteste.

Uma de minhas filhas teve e dirigiu uma autoescola, e uma das observações que fiz nesse período foi de que rarissimamente um condutor de veículo recém-formado se envolve em acidente.

Sim. Todas as grandes colisões de trânsito ocorrem com aqueles que já adquiriram longa prática, e junto com ela o excesso de confiança, bem como os vícios perigosos.

O novo guiador é cuidadoso e atento, não confia nos outros, mantém a distância, busca os melhores critérios, até que aos poucos vai relaxando e se tornando um motorista relapso e sem-vergonha. Assim também com os políticos. 

Quando eu era escoteiro, fui incumbido certa vez de passar orientações urgentes a um noviço que acabava de ingressar no escotismo – e na patrulha da qual eu era monitor – e no fim de semana próximo nós iríamos acampar.

Acampamos, e durante a noite houve um grande incêndio na mata, de modo que era preciso salvar as barracas e os pertences, fazer aceiros, abafar as chamas com palhas verdes de palmeiras, transportar água em baldes por sobre as brasas e a fumaça.

Pois aquele novato se mostrou um intimorato, que, embora ainda sendo “escoteiro mirim”, e absolutamente inexperiente, se incorporou ao grupo de seniores – composto pelos mais velhos e mais experientes.

Combateu as chamas com eles, sem pregar os olhos durante toda a madrugada – e pela manhã estava acolitando o Chefe do Grupo, na construção do altar rústico no qual o capelão viria celebrar uma missa, com a presença das famílias.

Moral da história: "A experiência não prepondera em face da endurância e do caráter". 

Reginaldo Vasconcelos         


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