OS POÇOS DO DNOCS
Cássio Borges*

Os denunciantes contra
o deputado pernambucano não tiveram o cuidado de apurar que perfurar poços em
propriedades privadas sempre foi rotina no Dnocs, mediante pagamento e demais
condições conveniadas. O mesmo em relação à construção de açudes em
propriedades particulares, o vitorioso programa da “Açudes em
Cooperação”, uma versão pioneira no Brasil do atual projeto do Governo
Federal, denominado de Parceria Público Privada-PPP. Foram mais de 35.000
poços perfurados e mais de 900 açudes construídos pelo Dnocs nesta modalidade.

Com o escândalo que
promoveram patrulhando o deputado pernambucano, o Governo cancelou os
convênios, disso resultando o desativação de dezenas ou centenas de
perfuratrizes, que hoje não devem passar de sucatas. O Brasil seria mais feliz
se toda a corrupção que o devora se restringisse aos poços do Dnocs,
construídos em cooperação com particulares mediante pagamento. E Inocêncio,
independente de ser deputado, como cidadão nordestino, pagou o seu”.
Themístocles citou Rachel de Queiroz em seu artigo quando ela diz:
“O Dnocs perfurou um poço na minha Fazenda “Não Me deixes”, com a profundidade
de 78 metros. E foi a salvação do meu gado; do meu gado só, não; dos moradores
da fazenda e de muita gente dos arredores. Não preciso dizer mais nada”.
Outro aspecto que deve ser considerado é o “vale tudo” que
determinados setores do Governo do Estado do Ceará está promovendo com o
intuito de extinguir o Dnocs, sejam quais forem as consequências
atuais e futuras, lembrando obviamente que o Dnocs não é só o Estado do Ceará.
Portanto, um crime contra a nossa Região.
Jornal O Povo – 26 de novembro de 1998
Nenhum comentário:
Postar um comentário