A “ESTRADA DE DAMASCO”
DE DILMA ROUSSEFF
Reginaldo Vasconcelos*
Comete imperícia aquele que, tendo
obrigação de conhecer determinada técnica ou ciência, erra na sua aplicação; em
negligência incorre quem deixa de fazer o que deveria; imprudência se dá quando
alguém faz algo ousado que não deveria ter tentado.
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São Paulo redimido na estrada de Damasco |
A conduta culposa, sem intenção maléfica ou criminosa, cometida por imperícia, negligência ou imprudência, também seria fato determinante para uma proposta de impeachment, segundo defende o jurista Ives Gandra
Martins. Onde se lê que cabe a cassação nos casos de "crime cometido no exercício do cargo" se deve interpretar como "no exercício do poder", porque a reeleição, que faz continuar o cargo político-executivo, sem interrupção, é fato novo para a lei que regula a impugnação de mandato presidencial, editada em 1950, de modo que não podia prever expressamente, mas que pela lógica jurídica a abrange – como observa o Prof. Rui Martinho Rodrigues. 
Stedile convidou a Presidente a confrontar a cidadania brasileira que sai às ruas em protestos justos e pacíficos, utilizando o “exército” formado por aqueles que chama de “sem-terras”, e a que Lula referiu recentemente, visando intimidar a sociedade.
E Stedile ainda cobrou à Presidente não ter o seu atual Ministro
da Fazenda, Joaquim Levy, pedido a benção a ele antes de traçar o plano de austeridade para as finanças do
Governo. Ora bolas! Que absurda pretensão!
“O
que o Stedile faz é sugestão. Ele tem as convicções dele e eu tenho as minhas.
A concepção do Movimento é uma, de um Governo é outra. O Governo olha para o
País e vê vários setores, não vê só a agricultura familiar – respondeu a
Presidente.
E continuou: “Olhamos para o País e vemos também o agronegócio, vemos todas as
reivindicações. Acho absolutamente democrática a crítica dele. Agora, entre a
crítica ser democrática e a gente aceitar a crítica tem uma pequena distância”.
Esses períodos verbais da Presidente são
quase perfeitos. Dilma peca apenas no segundo, quando, ao dizer que a crítica de Stedile é
“absolutamente democrática”, deixa de notar que o seu conteúdo é absolutamente fascista
e violento; ela peca ainda quando afirma que entre ouvir a crítica e aceitá-la
há uma “pequena distância”. Isso porque, neste caso, deve haver anos-luz entre
uma coisa e a outra.
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Foto vencedora do
Prêmio Internacional de Jornalismo
Rei da Espanha - (Foto: Wilton Júnior/AE)
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Com esse ato Dilma, que não
precisará mais “fazer o diabo” para conseguir uma eleição, como se tivesse afinal
encontrado a sua “estrada de Damasco” parece romper
definitivamente com a lógica colonialista do PT, em se fazendo de humilde e
oferecendo "miçangas e espelhinhos", com apenas um por cento do PIB, para cooptar a turba ignara, garantindo para si
apoio maciço e maioria eleitoral, mantem-se no poder, introduzindo o seu alto clero na elite social e econômica que, da boca para fora, o partido deplora e detrata falsamente, como se fosse o seu antípoda.
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