AMEAÇA PERMANENTE
Paulo Maria de Aragão*



Até o senso da
previdência é afetado pelo automóvel, considerando que, a “sociedade de
consumo” o colocou como produto aquisitivo de primeira ordem, capaz de dar novo
status àqueles que saem das camadas inferiores. Casa própria, instrução, saúde,
enfim, necessidades primárias são sacrificadas em seu nome. Há quem zele mais
pelo carro do que pela família. Desse modo, se supõe um “deus” no volante,
nutrindo empáfia, por força dos olhares de terceiros que o julgam um
“poderoso”. Mas que nada! Não passa de um tolo que poderá em segundos ser mais
um a compor o elenco dos extintos.
Alastra-se,
dessa maneira, a guerra com sua legião de mortos, sequelados e criminosos
anônimos, ante a leniência do Estado, estímulo à “execução” nas pistas de
asfalto. Obriga-se o homem a adaptar-se a um fato incompreensível, conduzir-se
a um progressivo desejo de superar a si mesmo para terminar, sombriamente,
destruindo a si próprio e o semelhante pelo imperativo prazer de intemperança,
veleidade da cupidez e despreparo –produto da sociedade comprometida com o “consumo”, tal
qual se identifica.
* Paulo Maria de Aragão
Advogado e professor
Membro do Conselho Estadual da OAB-CE
Titular da Cadeira nº 37 da ACLJ
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