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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

RESENHA - Uma Lição Sobre Fé (ES)


Uma Lição Sobre Fé
Edmar Santos*



A literatura sempre nos apresenta ensinamentos através de diálogo com os autores. A escolha temática geralmente está relativa ao momento vivenciado e/ou a objetivos previamente traçados, em busca do conhecer.

A fé é um tema de complexidade ao entendimento; variações científicas e vertentes dogmáticas tentam explica-la, da forma mais plausível que conseguem, sem, contudo, alcançar o seu fechamento.

No livro de título ousado, denominado: “Salvos da Perfeição – Mais Humanos e Mais Perto de Deus”, uma edição do ano de 2009; o autor Elienai Cabral Júnior nos apresenta, dentre outros temas, em uma didática direta, eficiente, com uma linguagem clara e concisa, algumas considerações que iniciam com uma indagação: Por que não desistir da fé?

Sequencialmente expõem sobre uma definição possível de fé, colocando essa como sendo uma necessidade de acreditar e aderir a algo que ainda não conheço inteiramente. Complementa inferindo que ninguém vive sem fé. Porque nunca sabemos inteiramente de nada que passamos a experimentar. Fato.

Utilizando do bom senso, alerta que o tema da maneira que aborda refere-se não a crentes ou ateus, mas a uma relação de existência humana. Em suas palavras, é a descrição do modo como a pessoa humana desempenha sua racionalidade e enfrenta a imprevisibilidade da vida. A fé como forma de existir no mundo de escolhas. Aqui, nos parece um posicionamento que vai ao encontro de posições filosóficas existencialistas e fenomenológicas que, quase sempre, são postas em oposição ao tema fé, no sentido teológico.

Ancora sua perspectiva no argumento de que, segundo ele, escolhemos um caminho com base no depoimento de outras pessoas que também o escolheram um dia. Aduz: Fé é seguir em uma direção confiando que também vamos experimentar o que essas pessoas dizem que provaram.

Para Elienai, não se conhece objetivamente aquilo a que se adere, mas absorve a plausibilidade que tal projeto parece ter, no depoimento de pessoas convincentes e confiáveis. Essa fé, indica, é sempre uma manifestação da sociabilidade, por meio da qual todos nós nascemos para esse mundo. Fé com o outro.

No que concerne aos momentos de crises de fé, analisa de forma lúcida que, todos nós, afirma, experimentamos crises quando as razões que alegamos para viver em uma direção são colocadas em xeque pelas adversidades, ou mesmo ofuscadas por razões distintas e posteriores que se revelam melhores. Desertos que confirmam a fé.

Prossegue inferindo que, as circunstâncias futuras são probabilidades apenas, nem sempre imagináveis, mas nunca certezas. E, por tal, conclui: a fé que se mostra plausível agora pode se revelar insustentável, mediante realidades novas. São suficientes a surpresa, a frustração e o insucesso para uma crise de fé. O revés, o grande teste.

Por um embasamento teológico, nos diz que fé é um exercício de viver diante do que é imprevisível e, portanto, tem nas crises estações inevitáveis para frequentar durante o percurso da vida.  Nesse viés, propõe que, a fé é a modalidade de experiência humana de criar expectativas e fazer escolhas diante do inesperado. Uma crise fraca implica fé mais forte; uma crise forte torna a fé mais fraca, afirma.

A fé é posta pelo autor, como um chão compartilhado, pois, infere: Não há projeto humano solitário. A fé, continua, é a resposta a uma comunidade, que por sua vez torna-se seu ecossistema.

Na perspectiva de Elienai a amizade é influente para a manutenção da fé e, por tal, ele aponta: Ninguém abandona a fé sem perder uma amizade. E que ninguém perde amigos sem perder muito de si mesmo. Eis a gravidade, conclui.


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