ALIANÇAS
SILENCIOSAS
Rui Martinho Rodrigues*
Gastos, quando excedem receitas, levam ao endividamento.
Descontrole das contas públicas estimula a alta dos juros. Grandes dívidas e
juros altos são o paraíso dos mutuantes. Bancos são grandes credores. O Estado
provedor devora de recursos. Fomenta dívidas. Semeia lucros para os grandes
bancos, grandes credores. Os maiores capitalistas, por meios de fundações
milionárias, financiam movimentos “progressistas”.

Milionários, nos EUA, têm defendido o aumento da escala progressiva
do Imposto de Renda. São generosos! Mas sob a proteção de fundações e de outros
artifícios, completamente fora do alcance dos impostos que querem aumentar. Os
grandes financistas e os seus “adversários” competem no campeonato de virtudes.
Ambos, porém, querem mais gastos públicos e mais dívidas. Os
“progressistas”, sejam eles revolucionários ou democráticos, criticam os juros,
mas defendem o déficit público. Alguns ricos financiam os seus supostos inimigos,
como o fazem as fundações dos grupos mais afortunados do mundo.
Resta saber se tão silenciosa aliança se mantém quando os
“progressistas” chegam ao poder pela via revolucionária. Em 1927 a Standard Oil
de Nova York investiu em uma refinaria na URSS e pouco depois participou de um
acordo para vender petróleo soviético nos países europeus.
Em 1925 o Chase National Bank participou do financiamento de um
programa de exportações e importações soviéticas (ver Allen e Abraham). A China
recebe um dilúvio de investimentos dos maiores grupos econômicos privados,
estando sob ditadura do Partido Comunista Chinês (PCC).
A América Latina tem mais recursos naturais do que a “Terra do
Meio”. Poderia receber tais investimentos. Além disso, está mais próxima dos
grandes centros consumidores da União Europeia e dos EUA. Tem mão de obra não
muito mais cara do que a do grande país asiático.
Oportunidades de investimento em infraestrutura não faltam desde a
margem meridional do rio Grande até a Patagônia. Mas o grande capital preferiu
investir sob as asas do PCC. O único obstáculo era o “nacionalismo” de ocasião,
praticado pelos internacionalistas, que faziam violentas campanhas contra o
capital que a China recebeu de braços abertos. As motivações para estas
campanhas nos levam ao exame de conspirações. Afinal, conspiração é
planejamento e busca de resultados. Empresários e políticos, principalmente se
revolucionários, não fazem outra coisa.
É mais fácil corromper agentes políticos, como ficou demonstrado do
Mensalão e Petrolão, do que enfrentar a competição do mercado. Os ditadores
precisam da eficiência produtiva da economia privada e gostam de desfrutar do
patrimonialismo em que os palácios luxuosos são do Estado, mas quem usufrui
deles são os dirigentes dos partidos. A aliança silenciosa entre estas partes
começou sob o nazismo, que foi uma parceria entre o capital privado e um
governo totalitário, agora repetida na China.
O capital prefere um regime sem greve, sem protesto, sem Ministério
Público e Magistratura independentes. Vietnã, Angola, Moçambique e Rússia são
exemplos de igual cooperação. Isso explica alianças surpreendentes, inclusive
entre nós. Peões, no jogo político, são inocentes úteis que se presumem
esclarecidos.
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