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domingo, 16 de dezembro de 2018

CRÔNICA - A Tal da Bossa Nova (TL)


A TAL DA BOSSA NOVA
Totonho Laprovitera



Em Natal, Chiquinho e Gera convidaram para o Carnatal os seguintes amigos: Luiz, Cid, Elias, Eliseu, Marcílio, Mário, Valdim e eu. Todos, com as respectivas consortes.

Na viagem, o animado grupo já fazia a base para enfrentar a micareta. Os brincantes chegaram animadíssimos e hospedaram-se num pequeno apart-hotel, na praia de Ponta Negra. Dos dez apartamentos do estabelecimento, o grupo ocupou nove, pois Eliseu acolheu-se na casa do primo Zé Plínio. À noite, no saguão do Cavernas, quando se preparavam para zarpar rumo à festa, o jornal da televisão noticiou o falecimento de Tom Jobim.

–     Não é possível, morreu?! – exclamou Valder, soltando o cigarro e, aflito, esmurrando a mesa.

– Quem morreu, Valdim? – procurou saber Gera.

– Meu amigo Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o Tom Jobim...

– E era teu amigo? – perguntou Luiz.

– Mais do papai, desde o tempo da Guanabara... Bebiam juntos no Veloso e, por último, na Cobal.

– Taí, que eu não sabia  – eu disse.

– É, como dizia meu velho dileto Vinícius...

– Que Vinícius? – inquiriu Elias.

– O de Moraes.

Vinícius de Moraes?

– O próprio. Lembro bem: “A bênção, maestro Antônio Carlos Jobim / Parceiro e amigo querido / Que viajastes tantas canções comigo / E ainda há tantas a viajar.”

– Quer dizer que ele também era teu amigo? – interrogou Mário.

– Esse é que era mesmo. Uma vez a gente se encontrou num bar em Recife e ele até ofereceu um poema pra mim e pra Gláucia.

– Valdim, eu não sabia que você era entrosado com esse pessoal... – comentou Cid.

– Tudo começou com o João Gilberto. Imagina que quando eu, ainda criancinha, ia passar férias na casa do papai, lá na Guanabara, ele e a turma toda apareciam pra bater aquele papo. Quando já era tarde, eles pediam permissão para tocar violão e cantar. Papai deixava, desde que fosse baixinho, pois eu já estava dormindo e ele não queria que me acordassem. E não sei se por coincidência ou não, mas foi nessa época que apareceu a tal da Bossa Nova.





COMENTÁRIO

Há fatos curiosos nas entrelinhas da História que uma isolada testemunha, ou mesmo um solitário protagonista revela de repente, como o advento da Bossa Nova ter relação com o sono infantil do “Valder”, incógnita personagem do Totonho Laprovitera em sua crônica.

Dia desses eu estava dizendo que o título da banda Mastruz com Leite, do ex-árbitro de futebol Emanuel Gurgel,  foi inspirado por minha sogra, recentemente falecida centenária, a qual produzia e enviava mastruz com leite para as contusões do filho que jogava Ceará – segundo conta o próprio fundador e dono daquela banda de forró.

Em outro exemplo, o nosso confrade Humberto Ellery conta que o título do programa da TV Globo “Pequenas Empresas, Grandes Negócios”, tão bem aplicado, foi despretensiosamente sugerido por ele ao Paulo Lustosa, seu cunhado, que então era Presidente do Sebrae.

De fato, já ouvi dizer que a maneira suave de se tocar a Bossa Nova, que caracteriza o estilo musical fundado pelo João Gilberto, deve-se ao fato de que ela nasceu e teve os seus primeiros ensaios nos apartamentos residenciais do Rio de Janeiro  naquela época a cidade-estado denominada Guanabara, que era o Distrito Federal – o que condiz perfeitamente com a narrativa do Totonho.

Reginaldo Vasconcelos
   



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