COISAS E LOISAS
(Livro
de Horácio Matoso)
Vianney Mesquita*
Acumulo
regular experiência no mister de acompanhar a edição de livros, revistas e
assemelhados, desde que, no começo dos ’60, na antiga Escola Industrial de Fortaleza,
hoje Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – IFCE, gerenciava a
edição de periódicos dos estudantes. Abracei com vigor e profissionalismo esse
ofício, já como professor da Universidade Federal do Ceará, exercendo em
paralelo a função de editor das Edições
UFC, a qual veio se tornar uma das maiores publicadoras oficiais do País.
Nessa
ambiência acadêmica, já acostumado a apreciar a boa leitura, e com a vontade
decidida de socializar os conhecimentos que produzia, amiudei a frequência de
publicar meus escritos e, até hoje – 2018 – trouxe a público duas dezenas de
livros de estudos, apreciações e crítica literária, além de muitos artigos de
teores do saber novo, comentários acerca de volumes editorados, quartas-capas e
guarnições, publicados por órgãos idôneos do Ceará e de outras unidades
federadas.

Na
linha religiosa, publiquei, também, em 2004, pelas Edições UVA, de Sobral-CE, o
livro ...E o Verbo se Fez Carne, atinente
ao Evangelho de São Lucas, composto em versos de arte menor, os mesmos pés do
chamado sonetilho, com sete acentos em cada um.
Na
contingência da atividade editorial, cultivei o hábito, penso que salutar, de
estimular outras pessoas a também assim procederem, isto é, trazendo a público
suas ideias, por simples que sejam, por mais desataviadas de estilo que se
mostrem, pois, à medida que adentram a ação de escrever, a arte vai penetrando,
o feito se mostra e resulta em um bom projeto.
Guardo
exemplos de escritores, até de fama, que estiveram sob a emulação de minha
influência, da vibração manifesta, cujo primeiro trabalho publicado traz a
marca desta estimulação.
***

Veio
ele contratar meus serviços profissionais de revisor de textos, com a ideia
pequena de mandar fazer, artesanalmente, uma edição de 150 ou 200 exemplares,
para distribuição com a família e os amigos.
Procedi
à tarefa da revista, havendo, num átimo, me identificado com diversas – quase
todas – as passagens de sua qualificada narração, porquanto, oriundo do
interior do Ceará (Palmácia), eu conhecia de sobejo o vocabulário, os tipos
exóticos, as excentricidades e manias de suas personagens. Identificara até o
caráter não recomendável de pessoas com quem privou profissionalmente, e das
quais ele soube, com descortino, se livrar muito bem, sem lhe haver ficado qualquer
crosta, tampouco ressentimento algum, na qualidade de síndico do condomínio das
boas criaturas.
Apreciei,
sobremodo, seu estilo simples, comunicativo e correto, ao narrar os causos
picarescos, enfeitados, mas reais, curtos e gostosos de ler, de uma assentada.
Então,
arrefeci da ideia da edição mignon e
lhe disse:
– Negativo! Como é que o senhor, que já não é
nenen, havendo perdido tanto tempo com esses escritos na gaveta – e, além do
mais, funcionário graduado do Banco do Brasil – extraordinária referência –
quer cometer um desatino desses? Não senhor! Deve fazer uma publicação
industrial, moderna, com boa tiragem e qualidade estética, que possa circular
por qualquer lugar do mundo sem fazer vergonha. Se o livro tem bom conteúdo,
esse há que estar capeado por um ótimo continente!

Então,
veio à praça literária o escritor Horácio Matoso, fundador do Correio de Russas, ao batizar o Coisas e Loisas nas águas de sua
felicidade e dos amigos, como o primeiro rebento literário, o início de uma
série comprida, pois a literatura, desde então, é sua mania, sempre completada
com a loura suada, de que tanto
gosta.
Horácio
Matoso, caríssimo: tenha certeza de que seu texto é bom, sincero, correto e
singular. Você leva um jeito especial de narrar, ajudado, evidentemente, pela
participação pessoal nas ocorrências. Prossiga no exercício de sua verve,
mostre, constantemente, seu engenho. Seu público o quer escrevendo. Siga o
conselho do excelso vate Luís de Camões, ao dizer que “[...] cantando
espalharei por toda parte, se a tanto me ajudar engenho e arte”.
Continuo
a dar-lhe parabéns por haver “caído na vida”, completado a missão que,
consoante assinala a tradição, configura em plantar uma árvore, gerar um filho
e publicar um livro...
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