CARGA TRIBUTÁRIA
Cândido Albuquerque*
A
rigor, as alíquotas dos nossos impostos não são mais altas do que as praticadas
por outros países. Em alguns casos, são até menores. Na verdade, o que torna a
nossa carga tributária insuportável é o fato de que pagamos os impostos e não
recebemos os serviços públicos correspondentes. Assim, temos de pagar duas
vezes. Vejamos: quem pode, além de pagar os impostos relativos à saúde, ainda é
obrigado a manter um plano de saúde; de igual modo, quase todos os condomínios,
casas e comércios no Brasil são atendidos por serviços de segurança privada.
A
educação fundamental e o ensino médio são uma tragédia. Nas estradas, muitas
esburacadas e sem segurança, os motoristas pagam caro pelo combustível e
dirigem rezando para que não sejam assaltados. O Estado brasileiro não faz e
não fiscaliza quando delega. Não há setor, na vida brasileira, imune à
corrupção. Nesse ponto somos campeões. E as mordomias? Aqui a situação é muito
grave! Somos donos da maior frota de automóveis a serviço dos privilégios dos
servidores públicos. Coisa de país de
terceiro mundo. Começa no Ministério Público, o qual deveria dar o exemplo. Ali,
seja federal ou estadual, a pose de Suas Excelências desfila em automóveis de
luxo. E agora, com placas normais, ninguém mais controla.

Enquanto
isso, milhares de brasileiros morrem nos corredores dos hospitais, nos quais
faltam leitos, remédios e gestão comprometida. A situação é tão grave que o tal
teto constitucional já virou ficção há muito tempo, e isso em boa parte pela
obra de juízes e de membros do Ministério Público, os quais, a partir de
artifícios hermenêuticos, garantem os seus próprios vencimentos acima do que
seria o teto, enquanto faltam recursos para a educação e a segurança pública.
Não
temos infraestrutura, pelo que produzir bens e serviços no Brasil é uma
aventura difícil e sofrida. Um simples alvará de funcionamento, ainda que para
simples renovação, ou é muito caro ou difícil. O Estado, em qualquer idioma ou
continente, é sempre muito mais apto e eficiente para tomar do cidadão do que
para servir à população. No Brasil, ainda convivemos com um dado extra: muitos
ainda acreditam em um Estado máximo e provedor de bens e serviços, mesmo que
isso não tenha dado certo em nenhum lugar do mundo.
Essa visão dificulta a modernização do Estado e penaliza ainda mais a vida de quem precisa do poder público. No Brasil, a situação é tão grave que muitas agências reguladoras, inclusive no Ceará, viraram “cabide de emprego”, inclusive com a participação de entidades de classe, as quais deveriam fiscalizar e denunciar essas disfunções. Sem agências reguladoras eficientes e providas pelo critério da qualificação técnica, os serviços serão sempre deficitários, e o Estado, mais uma vez, deixará de cumprir o seu papel.
Essa visão dificulta a modernização do Estado e penaliza ainda mais a vida de quem precisa do poder público. No Brasil, a situação é tão grave que muitas agências reguladoras, inclusive no Ceará, viraram “cabide de emprego”, inclusive com a participação de entidades de classe, as quais deveriam fiscalizar e denunciar essas disfunções. Sem agências reguladoras eficientes e providas pelo critério da qualificação técnica, os serviços serão sempre deficitários, e o Estado, mais uma vez, deixará de cumprir o seu papel.
Se
as disfunções acima indicadas fossem sanadas, ou seja, se o combate à
corrupção, às mordomias e ao aparelhamento do Estado fossem mesmo levados à
sério, sem seletividade, o dinheiro que hoje pagamos, como contribuintes, seria
suficiente para que o Brasil cumprisse a sua missão institucional, com louvor,
e nós reconheceríamos a nossa carga tributária como aceitável e justa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário