DESTAQUES CEARENSES

DESTAQUES

CEARENSES

Edição

2020

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EM 2020

“RESILIÊNCIA”

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quinta-feira, 14 de junho de 2018

APRECIAÇÃO LITERÁRIA - Ressonâncias (VM)


RESSONÂNCIAS
(Acerca de Canção de um Solitário)
Vianney Mesquita*



A água voa sozinha, os corvos em bando; o imbecil precisa de companhia, o sábio de solidão. FRIEDRICH RÜCHERT – poeta e prosador alemão. 19.05.1788 – 31.08.1866).



Há poucos dias, de uma assentada de menos de uma hora, deliciei-me com a leitura, ligeira mas profunda, de um livro, pequenino no tamanho e incomensurável na conquista, intitulado Canção de um Solitário, publicado em João Pessoa, da agricultura do ex-frade capuchinho fortalezense Raimundo Luciano Correia Lima de Menezes (fotografia), o qual já priva da Glorificação paradisíaca.

Esta substanciosa obra literária, malgrado suas frugais, porém amplíssimas 74 páginas de subido artifício literário e engenho anímico, me foi cedida para leitura pelo sobrinho do Autor, o oficial da Polícia Militar do Ceará, Sérgio Arruda, meu amigo de sadias conversas às sextas-feiras, em duas horas, no máximo, durante as quais desenvolvemos saudáveis lérias, no estabelecimento comercial do amigaço Sr. José Maria Nascimento, no Benfica, em Fortaleza.

Em Canção de um Solitário (foto), admiravelmente composto em português que varia do castiço ao comum-correto, o Escritor expõe todo o seu ardor inventivo, calçado em um estilo agradabilíssimo e com torneios de fácil entendimento, ao expor o seu estro artístico de sábio na solidão.

Como é simples de o leitor divisar, esta circunstância resta configurada, na epígrafe destes comentários, pelo literato germânico Friedrich Rüchert (foto), célebre mestre de Contos Líricos (Lyrisische Gedicthe), em cuja perspectiva, para que o pensador produza, se determina uma contingência de insulamento, a fim de as relações pessoais não perturbarem o veio produtivo no momento de materializar a criação.

Parece, pois, haver sido tal isolamento das pessoas e fatos do Mundo, vinculados – seja expresso – aqui, exclusivamente, ao amor conjugal, no decurso da conjuntura monástica do Autor, que o conduziu a edificar um conjunto de reflexões artístico-literário de tal estimação, conforme se ajuntam em Canção de um Solitário, de sabor estético indiscutível e propriedades tão nobres, a conduzir quem o lê e distingue ao apogeu da satisfação.

Não intento, e isto é mais do que evidente, deixar de lado sua atuação como ungido do Senhor durante largo tempo, até conhecer sua Glória de Lourdes, numa ensancha propiciada por Deus, a qual lhe concedeu o segundo half-time, após o seu primeiro tempo de vencedor ao propagar a Palavra, com sabedoria, acerto e determinação, conforme seu juramento na oportunidade em que recebeu o Sacramento da Ordem, (Foto) cuja suspensão foi concedida, pela Santa Sé e ao seu rogo, em 1967.

Aproveitando o ensejo de realização do Campeonato Mundial de Futebol, na Rússia (FOTO), no segundo tempo desta Copa, de Deus e do Mundo, o Autor recebe, também, as bênçãos de Cima, haja vista a família constituída, o bem esparzido, o exemplo ordenado, a correção orientada, o caminho que procurou endireitar, as veredas que, batistinamente, tencionou desentortar, para, enfim, aportar a uma literatura de alevantada qualidade.

Este status quo o transporta, sem nenhuma dúvida, a um lugar de destaque na prosa brasileira, mesmo com obra curta, fato ocorrente com vários escritores nacionais, como sucede com Augusto dos Anjos (Foto), coincidentemente paraibano, o qual somente publicou Eu e outras Poesias e, assim mesmo, é autor conhecidíssimo não apenas no Brasil.

Têm ressalto na bela publicação ora comentada um lúcido e profundo prefácio da lavra do médico, escritor e poeta Luiz Luciano Arruda de Menezes, bem assim um texto de quarta-capa, de alçado teor histórico, a respeito do novo mundo do Autor – o Mundo do Amor.

Dirijo aos dois Lucianos os parabéns por haverem ornado, decerto, até em boa redundância plástica, a obra do primeiro Luciano, já por si mesma alimentada de alcance e idoneidade.


Nota: o volume sob escólio, de Luciano Menezes, é raro, porém, foi publicado pela Ideia Editora Ltda, de João Pessoa, e pode ser procurado por quem interessar mediante o sítio "ideiaeditora@uol.com.br".


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