INDUZIMENTO AO SUICÍDIO
Vianney Mesquita*
O suicida é ao mesmo
tempo um fraco e um temerário. Não podendo lutar contra o tempo, desafia a
eternidade. (J.F. von Schiller).
Está lotado o folclore educacional cearense
de fatos hilários ocorrentes em sala de aula e outras dependências de escolas,
notadamente em Fortaleza, envolvendo estudantes, professores, bedéis (é o novo!) e outros componentes do sistema
educacional.
Em 2013, por exemplo, escrevi as orelhas do
livro Magistério Hilariante, do prof.
Bráulio Eduardo Pessoa Ramalho, da Universidade Estadual do Ceará e UNIFOR, só
reproduzindo piadas passadas em colégios e escolas superiores da Capital, fato
denotativo do veio engraçado peculiar à molecagem aqui praticada e que faz o
Ceará, de Chico Anysio, Renato Aragão, Tom Cavalcante e tantos outros,
conhecido no Brasil inteiro.
A Universidade Federal do Ceará é palco de
grande parte dessas ocorrências hílares, mercê da idade institucional – hoje,
61 anos – e do grande lapso no curso do qual historicamente pontificou,
praticamente sozinha, como conjunto de escolas de ensino superior, pesquisa e
extensão, consoante a Lei número 5.540/68, da Reforma Universitária, salvante a
Faculdade Católica de Filosofia e a UNIFOR – esta aparecida somente em 1973.
Nos primeiros anos da chamada “abertura
política”, após o movimento civil-militar ferido em 1964, a comunidade
universitária da UFC – professores, estudantes e servidores – já participavam,
indiretamente, da consulta a fim de escolher do Reitor e o Vice-Reitor, para
posterior homologação, pelo Conselho Universitário - CONSUNI, da lista sêxtupla
a ser enviada ao Presidente da República, para nomeação.
Após o reitorado do Prof. Pedro Teixeira
Barroso, docente da Odontologia, seguiu-se a administração do Prof. Paulo
Elpídio de Menezes Neto, das Ciências Sociais, de 1979 a 1983. Neste tempo – e
os mais na idade se lembram – uma linha telefônica era um patrimônio, pois
valia bastante dinheiro e havia até pessoas que acumulavam telefones como
investimento.
Este fato está vinculado à estória
seguinte. É que, com o retorno à democracia, os postulantes aos múnus de Reitor
e Vice se reuniam com a comunidade acadêmica, a fim de fazer propaganda,
empreendendo palestras e encontros, ora com estudantes e outras vezes com
funcionários e professores, com vistas a explanar metas para angariar votos na
consulta cujo resultado seria levado ao CONSUNI.
Nesse pleito, um dos vários candidatos a
Reitor era o Professor José Helder Barbosa Teixeira, do Centro de Ciências. Certa
vez, conta a “ralé da UDN”, ele estava numa roda de conversa da qual
participava o Professor Gervásio Colares, conhecido docente das Matemáticas,
este arraigado às formas internas de pinçar as autoridades acadêmicas, ou seja,
escolha, por mérito, em lista sêxtupla, pelo Conselho Universitário, avesso à
eleição, como se fosse para uma Câmara de Vereadores de município pequeno.
Falando com o Hélder (falecido), Gervásio
perguntou:
“Bichão” – e tu és candidato? Está fácil
pra ti?
– Que nada, respondeu. É difícil: tem que
gastar dinheiro com panfleto, coquetel, churrasco etc. Já vendi até meu
telefone para ajudar na campanha. Gervasão disse:
– Que história é essa, “bichão”! Gastar
dinheiro, na Universidade, como se fosse candidato a vereador? A isto Hélder
respondeu:
– Isto mesmo. E quem não fizer assim não se
elege!
– “Bichão”, e tu tens chance?
– Tenho! – O Governador disse que se eu
entrar na lista sêxtupla, ele garante minha nomeação. Gervásio retrucou, sarcasticamente:
“Bichão”, se tu não estás mais nem na lista
telefônica, como é que vais entrar na lista para ser Reitor?!
***
Dirigiu, então, a UFC o Prof. Anchieta
Barreto, até 1987, quando o substituiu o Prof. Raimundo Hélio Leite. De tal
sorte, todos os diretores de unidades, detentores de cargos em comissão, como
de praxe, entregavam os postos ao reitor sainte.
O professor Mauro Barros Gondim, da
Agronomia (ex-secretário da Agricultura do Ceará), ao ver o Anselmo Frazão,
Diretor da Imprensa Universitária, adentrar o Gabinete do Reitor, dele indagou:
– Frazão, já entregou o cargo de Diretor da
IU ao Reitor?
– Eu não, que eu não sou besta!
– Por quê?
– Porque se eu entregar ele recebe ...
***

O Dr. Luizinho respondia pela disciplina
Direito Penal I (parte geral) e explanava acerca dos dispositivos da Lei Penal
Substantiva, quando chegou ao artigo 122 – Induzimento, instigação ou auxílio
ao suicídio - configurado no ilícito de persuadir ou instigar alguém a cometer
o autocídio ou lhe prestar ajuda para que o faça. Esclareceu acerca da duração
da pena, aumento do castigo, objeto material, circunstâncias da ocorrência... E
tome doutrina!
Pediu, em seguida, à turma para oferecer
situação indicativa desse crime. Na maior simplicidade, a Dr.a Antônia Mendes
Parente Filha – Tony (nunca mais ouvi falar nesta excelente pessoa) ofereceu o
exemplo sequente, é claro, com outras palavras.
– Um rapaz, que não sabia nadar, estava no
espigão da Praia de Iracema, ondas de janeiro, violentíssimas, cabisbaixo, se
dizendo desencantado da vida, a fim de se lançar na avalancha. Conversando,
porém, com outro, disse que estava sem calções.
E eis que, solícito e de pronto, o homem
emprestou os calções para o rapaz cair n’água e morrer afogado.
Exatamente do jeito que o Prof. Luizinho
Marcílio explicou – disse Tony [...]
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