A IMPRENSA NOSSA
DE CADA DIA
Wilson Ibiapina*
O acreano Napoleão Pimentel operava um rádio Hammarlund. Sintonizava a agência e ia traduzindo o código para o português. A chegada da máquina que trabalhava só, que soltava a notícia pronta, provocou um trauma no nosso radiotelegrafista.

Sua primeira reação diante da novidade foi jogar a máquina de escrever pela janela. Depois se enfurnou num boteco e bebeu todas. Quando voltou ao trabalho já não era o importante tradutor que abastecia as redações dos jornais, rádio e TV. Virara um mero cortador daquelas longas laudas, separando as notícias e entregando-as na redação. Por causa do teletipo, virou um contínuo.
As mudanças
tecnológicas foram avançando, retirando das redações as pranchetas dos
diagramadores, acabando com a radiofoto e a telefoto. O computador silenciou as
redações, a câmera de filme foi substituída pelo vídeo. A máquina fotográfica
ficou digital, desempregando o pessoal do laboratório que revelava
os filmes, as impressoras se modernizaram e o jeito de fazer jornal
também foi mudando.
Quando Maria Luiza foi eleita prefeita de Fortaleza pelo Partido dos Trabalhadores, lembrei do governador Virgílio Távora que gostava de falar usando uma linguagem telegráfica. Foi inspirado nele que sugeri ao editor Francisco Billas a manchete do dia. Ele acatou e o Diário do Nordeste estampou na primeira: “Maria Luiza Prefeita. PT Saudações”.


A forma de fazer jornal continua mudando. Hoje qualquer um pode fazer sua notícia, sua denúncia e colocar na Internet, nas redes sociais. No momento em que qualquer um pode ser redator, repórter, o amadorismo se sobrepondo ao profissionalismo, o papel do jornalista virou uma interrogação.
Para onde
vamos?
Os cursos de
comunicação debatem que tipo de profissional vão formar. Aliás, essa
preocupação vem desde o século passado. Em 1977, vinte e cinco influentes
jornalistas americanos se reuniram em Harvard para analisar a profissão. Já
preocupava a influência dos anunciante e das novas tecnologias sobre os meios
de comunicação. Essa influência gerava problemas e, em consequência, a
sociedade vinha perdendo sua confiança no que era noticiado.
A vulgarização dos
noticiários e a desmoralização do modelo clássico de reportagem, além de
programas de entretenimento disfarçados de jornalismo, motivaram a criação de
um Comitê dos Jornalistas Preocupados. O Comitê elaborou pesquisas sobre as
expectativas da profissão e chegou a formular nove enunciados como fundamentais
para a prática jornalística na sociedade. O primeiro se propõe a responder a
questão: para que serve o jornalismo?

Diz lá: “O jornalismo serve para construir a comunidade, a democracia. Ele deve fornecer
informações às pessoas para que sejam livres e capazes de se autogovernar. O
jornalismo influencia a qualidade de nossas vidas, nossos pensamentos e nossa
cultura. Enfim, o bom jornalismo deve ser comprometido com a verdade, a
disciplina, a independência e a lealdade”.
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