segunda-feira, 24 de agosto de 2015

ARTIGO - Trair e Coçar (RV)

TRAIR E COÇAR
(UM CONTRAPONTO ANTROPOLÓGICO)
Reginaldo Vasconcelos*


Embora racional, o homem é tão animal quanto os elefantes e os pinguins, que da mesma forma nascem, crescem, procriam e morrem.

E, como estes, as pessoas têm as pulsões instintivas que originalmente lhes serviam para a busca do alimento, a preservação da vida, a conquista de parceiros, o zelo da prole.

A faculdade da comunicação e o consequentemente  raciocínio reprimem os instintos, à medida que o ser humano se submete às crenças místicas, às normas jurídicas, às convenções da sociedade, em prol das boas relações entre as pessoas, a partir da experiência civilizatória acumulada.

Todavia, como tudo que é objeto de pressão se fluidifica e tende a vazar pelas brechas que encontrar, os comandos instintivos se esgueiram pelos esconsos da conduta humana, em forma de pecado e transgressão.

Acontece que na mais ampla classificação científica do reino animal o “bicho homem” é vertebrado, pulmonado, bípede, vivíparo, placentário, terrestre, mamífero, ubíquo, e... polígamo, como os lobos e os cavalos – e não monógamo, como os roedores e os pássaros.

A poligamia está intimamente relacionada com a evolução das espécies, inclusive a espécie humana, que a praticou durante milênios, da pré-história à idade média, quando os poderosos mantiveram haréns e serralhos.

O troglodita mais capaz tornava-se líder tribal, e então tinham direito a mais fêmeas, e às fêmeas melhores. Logicamente ele tinha mais filhos, e filhos melhores, e dessa forma os homens e mulheres mais fracos transmitiam sua genética muito menos.

Os párias se tinham de contentar com uma só mulher, de sua mesma casta, norma de conduta que terminou se generalizando na sociedade moderna, seja por força de lei ou por orientação religiosa, que impõe a monogamia universal, exceto em alguns países muçulmanos e africanos.   

Porém, alguns machos da espécie humana não conseguem controlar o impulso de conquistar novas parceiras e de obter variação sexual, mesmo amantíssimos da suas consortes, o que explica a manutenção da prostituição feminina e o adultério masculino.

Como os instintos operam de forma diversa nas fêmeas, movidas por outros hormônios, o adultério feminino tem etiologia própria. Diferentemente do homem, que trai ainda quando plenamente feliz com a companheira, a mulher somente o faz quando está insatisfeita física ou moralmente com o marido ou namorado.

É obvio que há homens e mulheres sexualmente mais frios e moralmente mais resistentes, de modo que esses conseguem vencer os apelos instintivos de trair, ainda quando a vida a dois esteja monótona, a sede sexual seja intensa e a tentação da oportunidade se insinue.


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