QUANDO A MULHER ABRE
O JOGO CONTRA O MARIDO
Wilson Ibiapina*



– Vice-Presidente coisa nenhuma. Esse aí não passa de um salafrário, igualzinho aos outros...!


A mulher, pivô desse episódio,
quando soube que o marido ia fazer um joguinho em casa, teve uma reação maluca,
indignada, cheia de maldade, quase cruel. Na verdade, tratava-se de uma
verdadeira cascavel que destilava veneno pelos poros. Sua raiva do mundo parece
que começava pelos pais que a batizaram com o nome de Irifila. O nome do marido
não ficava atrás: Iclirérico Narbal Pamplona. Devia ser outro motivo de
sua ira do mundo.
Edmilson Caminha diz que o próprio Pedro Nava descreveu a tia assim: “Era baixota, atarracada, horrenda, permanentemente irritada – de alma amarga e boca desagradável. Diante dos magros, seu assunto era magreza. Dos gordos, as banhas”. Ele conta que dona Irifila era inimiga de tudo que favorece a fantasia e torna a vida suportável. Era contra os namoros, contra o riso, contras as festas, contra o jogo. Não gostava de receber e, quando era obrigada a isso, fazia com grosseria.
Edmilson Caminha diz que o próprio Pedro Nava descreveu a tia assim: “Era baixota, atarracada, horrenda, permanentemente irritada – de alma amarga e boca desagradável. Diante dos magros, seu assunto era magreza. Dos gordos, as banhas”. Ele conta que dona Irifila era inimiga de tudo que favorece a fantasia e torna a vida suportável. Era contra os namoros, contra o riso, contras as festas, contra o jogo. Não gostava de receber e, quando era obrigada a isso, fazia com grosseria.
O escritor Edmilson Caminha diz que
essa senhora era o verdadeiro “desmentido em carne e osso da tão decantada
cordialidade cearense”.
Pois o coitado do Iclirérico, o
marido, um dia teve a coragem de levar uns amigos para uma partida de baralho
em sua casa, que deveria terminar com um jantar. A vingança da jararaca foi
maligna. Veja só como tudo acabou, segundo as palavras do Edmilson Caminha:
“Finda a ceia, àquela noite com a presença do Visconde de Ouro Preto, dona
Irifila apressou-se em servir a sobremesa: vinhos, licores, doces e chocolates,
tudo do mais fino bom gosto. E no meio da maior bandeja, a mais alta compoteira
com o doce do dia – aparecendo todo escuro e lustroso, através das facetas do
cristal grosso, de um pardo saboroso como o da banana mole, da pasta de caju,
do colchão de passas com ameixas pretas, do cascão de goiaba com rapadura. O
marido, mal se contendo de desejo, destampou a compoteira, ante o olhar guloso
do visconde: estava cheia de excremento até a borda".

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