VITÓRIA DE PIRRO III
Reginaldo Vasconcelos*
Reginaldo Vasconcelos*
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Humberto e o filho Fernando |
Engenheiro Químico,
ex-oficial da Marinha, Ministro da Eucaristia, aparentemente se situa entre o
pragmatismo das ciências exatas, que tão bem ele domina, os rigores da
disciplina castrense, que já lhe vem no próprio sangue, filho e sobrinho de detentores de altas patentes militares, e a dogmática católica,
que impõe aos fieis rígidos antolhos fideístas. Qual nada, Ellery é
um humanista de escol, um filósofo refinado, um livre e eclético pensador, verdadeiro
polímata, que, como todo sábio, é um polemista vigoroso.
Quando escrevi e
postei o artigo “Vitória de Pirro” neste Blog, no dia 27 de outubro, quis
significar apenas que a campanha do PT à Presidência da República fora tão
difícil e desgastante que, ao fim e ao cabo, não terá valido a pena para Dilma Rousseff, que agora
está exposta a uma implacável oposição, submetida a indefensáveis acusações no
escândalo da Petrobrás, escravizada a mentiras toscas do marqueteiro e a promessas de
campanha que não vai poder cumprir. Não pretendi jamais compará-la ao Rei do
Épiro.
Por exemplo, quem diz
que entrou em determinado contexto como “Pilatos no Credo” não está se
atribuindo os presumidos méritos do prefeito da Judeia, nem a sua omissão culposa na condenação de Jesus
Cristo, que segundo se diz ele teria cometido. Quem usa desse recurso de
linguagem apenas remete analogicamente à desnecessidade do nome do pagão Pôncio
Pilatos constar da prece católica romana.

Mantega, sim, aplicou
o termo de forma equivocada, porque “Vitória de Pirro” indica uma vitória
frustrante, e não uma derrota provisória, como ele pretende, neste caso, o
Governo tenha tido, confiando seja ela revertida no Senado.

Dâmocles foi um
general do Rei Dionísio de Siracusa. Este, sempre muito preocupado com a
traição de seus próprios cortesões, suspeitando de que Dâmocles o invejava, um
dia lhe ofereceu sentar no trono, e depois lhe apontou uma afiada adaga que pendia
do teto sobre sua cabeça, sustida apenas por uma crina de cavalo.
Foi a forma que o rei
adotou para fazer ver ao seu maior êmulo os imensos riscos a que estão
constantemente expostos os que têm postos de mando, de modo que aos privilégios
reais correspondem responsabilidades enormes e perigos diuturnos.
*Reginaldo Vasconcelos
Advogado e Jornalista
Titular da Cadeira de nº 20 da ACLJ
Reginaldo, o nome italiano é mesmo Mantéga? Bom o artigo, parabéns!
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