domingo, 9 de novembro de 2014

ARTIGO (RMR)


O PERFIL DAS OPOSIÇÕES
Rui Martinho Rodrigues*

O PSDB é socialdemocrata, com fama de liberal. É satanização, é “desconstrução”. Socialdemocrata, pai das bolsas, tentando livrar-se da pecha de liberal, fez uma oposição hesitante. Temeu em vão a acusação de inimigo das “bolsas”.

Secundariamente, na diversidade oposicionista, temos liberais. Preocupados com estabilidade monetária, equilíbrio fiscal e cambial, desindustrialização, condições do ensino público. Este grupo aliou-se à socialdemocracia. O motivo é simples: os tucanos reconheceram que não se pode fazer política social sem sustentabilidade financeira e esta depende do equilíbrio fiscal. Os liberais, todavia, não conseguiram animar os parceiros, que permaneceram constrangidos como oposicionistas.

A história recente contribui para o constrangimento aludido. Líderes da oposição fizeram política em parceria com Lula e muito contribuíram para transformá-lo em mito. Além disso, existe a profecia que se autorrealiza. 

Propalou-se que Lula era imbatível. Atacá-lo era suicídio eleitoral. A tática era mostrar afinidade, confundir-se com ele. Isso contribuiu para o crescimento do líder metalúrgico. A oposição nada ganhou. Não só por tática eleitoral os tucanos foram oposicionistas tíbios. Há também a afinidade ideológica e a hesitação em renegar o passado recente dos seus líderes.

Verifica-se, a partir da divulgação dos depoimentos de réus do processo do petrolão, a presença de muitos parlamentares da oposição na folha de pagamentos do citado propinoduto. Este era o terceiro componente da moderação oposicionista.

A falta de apoio entre formadores de opinião e dificuldade de enfrentar a sociedade civil aparelhada também desencorajaram atitudes mais afirmativas no exercício da fiscalização e da crítica dos atos de governo.

A moderação não funcionou. Não conteve a destruição de reputações. A máquina de moer ossos intimidou as oposições. Basta olhar os esqueletos de Maluf e Collor. O adesismo exemplificado pelos nomes citados mostra a força da intimidação causada pela destruição de reputações, somada ao oportunismo de associar-se ao desfrute do poder, verdadeiro festim dionisíaco.

O ex-militar Jair Bolsonaro, o pastor 
evangélico   Marco   Feliciano   e   o 
ruralista Luiz Carlos Heinze. Eleitos 
com votações expressivas .
(Imagem: Pragmatismo Político)
O temor do confronto com forças corporativistas também intimidou as oposições. Uma pequena minoria das oposições é formada por conservadores. Temas ligados à moral sexual, proteção do nascituro, segurança pública e menoridade e probidade administrativa sensibilizam os ditos conservadores. Não se trata do conservadorismo de banqueiros ou industriais, mas de segmentos médios e do povo em geral. Maldosamente, o dito conservadorismo tem sido acusado de afinidade com o nazismo. É tática de destruição de reputações e manipulação do medo.

Bancadas de policiais e repórteres policias e representantes de grupos religiosos cresceram. A campanha de Aécio Neves não quis parecer situacionista. Saiu-se melhor. O resultado das urnas encorajou o surgimento de uma oposição de fato. Ganha a democracia, que não pode existir sem oposição verdadeira.

*Rui Martinho Rodrigues
Professor – Advogado
Historiador - Cientista Político
Presidente da ACLJ
Titular de sua Cadeira de nº 10

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