OS MELIANTES E O
DELEGADO
Reginaldo Vasconcelos*

Têm-se a impressão de que o Governo está obtendo know-how nos presídios para instruir os
seus altos funcionários sobre inquéritos criminais, pois esses se comportam
exatamente como os meliantes comuns, uma vez flagranteados, quando ouvidos por delegados
de polícia. “Foi, mas não foi muito”;
“Era, mas não era tanto”; “Fiz, mas não foi bem assim”...

Essa hipótese já configura um delito culposo muito grave –
negligência, imperícia e imprudência. E essa é a conclusão mais benevolente. Haverá
sempre a suspeita de que alguém tenha agido de propósito, dolosamente, mediante
interesses escusos contra o patrimônio da Nação.
Graça Foster, a atual presidente da Petrobrás, diz que Serveró
foi punido, sim, e a penalidade, na época, foi assumir uma diretoria da BR Distribuidora. Ele, por seu turno, veio ao
Senador e disse que isso não lhe doeu nada, que não teve redução de salário, que foi apenas
remanejado, em rodízio funcional de rotina.
Então a Graça Foster volta ao Congresso e se desdiz – que, de fato, foi injusta com os colegas da
Distribuidora, ao depreciar a sua Diretoria. Que ser diretor da BR não desmerece
“seu ninguém”. Então: Serveró foi, ou não foi punido de fato?
Ah!, Ele foi demitido, passados tantos anos, agora que o escândalo
pipocou. Pois ele diz que não, que tudo não passa de coincidência, que foi
exonerado neste momento por ironia do destino, pois ele já estava pensando
em se afastar da função, e mesmo em se aposentar. Então, de novo: Serveró foi
punido ou não foi?

Acrescentou ainda o Grabrielli, em tom claramente
ameaçador, que a Presidente Dilma precisa assumir a própria responsabilidade. Mas,
cabe perguntar: se o negócio foi bom, segundo ele diz, que responsabilidade pesa
sobre ela, da qual ela estaria se furtando agora?

Dizer assim é como o sujeito que chegasse em casa sem o
dinheiro da feira, e dissesse à mulher não ter culpa de ter “alisado”
inteiramente. Que, pensando em duplicar o capital, teria passado no prado e apostado no
azarão, o qual, antes da largada, representava a perspectiva de render o maior
prêmio. Mas que, por acaso, o cavalo perdeu. Então, aos olhos de antes, a
aposta era ótima. Contudo, aos olhos de agora, se revelou um péssimo negócio.
Fica tudo justificado?
Acontece que Gabrielli, Serveró e Dilma, diferentemente do
apostador do exemplo, arriscaram milhões de dólares que não lhes pertenciam, e,
como se diz, “quem atira com a pólvora
alheia não toma chegada”. Ademais, confessadamente, perderam porque
aceitaram cláusulas deletérias, ou porque não as notaram, ou porque não deram
sequência ao plano inicial de investimento.

*Reginaldo Vasconcelos
Advogado e Jornalista
Titular da Cadeira de nº 20 da ACLJ
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