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domingo, 29 de novembro de 2020

ARTIGO - Literacia, Ter ou Não Ter (FCVT)

 Literacia,
ter ou não ter!
Francisco Cadorno Vasconcelos Teles*


Segundo Smith, 𝐋𝐢𝐭𝐞𝐫𝐚𝐜𝐢𝐚 é a capacidade de cada indivíduo compreender e usar a informação escrita, contida em vários materiais impressos, de modo a desenvolver seus próprios conhecimentos.  

Na sua definição, meus caros, o termo vai além da simples compreensão dos textos, inclui um conjunto de capacidades de processamento de informações, que poderão ser usadas na vida pessoal de cada indivíduo. Ou, como afirmam José Carlos Morais e Regine Kolinsky, Literacia designa convenientemente “a arte” da leitura e da escrita.

Desta maneira, podemos concluir, sendo a literacia uma complexidade, que a mesma não é estática, pois a compreensão das pessoas sofre mudanças, para mais ou para menos. E essa compreensão deve ser alimentada, para nutrir nosso sistema de informações. 

Na sociedade contemporânea, cada vez mais globalizada, a informação é a força que move a sociedade, e sua escassez acaba por atrasar ainda mais o desenvolvimento social, econômico e tecnológico de nosso país. Assim, se faz urgente e necessário buscar soluções para que as pessoas de diferentes segmentos sociais tenham acesso à informação. Nesse sentido, a biblioteca surge como um instrumento de democratização da informação. 

Certo disso, a biblioteca tem sua função social eminente, sendo ela primordial para composição da Literacia em nosso Estado. Não pode ser tornar um depósito de livros. Tem que gerar e passar conhecimento, a consciência do passado, o reconhecimento do que foi vivido pelos nossos antepassados. O privilégio de compor essa ideia é a base de um programa para uma Biblioteca. 

Temos o direito inalienável que todas as pessoas possuem de ter acesso ao conhecimento, sem diferenciação de classes. É um direito humano, por isso, à revelia do que temos sentido na atual conjectura do País, reitero a necessidade de ampliar esse contexto de “𝐭𝐞𝐫 𝐥𝐢𝐯𝐫𝐨𝐬 𝐞𝐦 𝐮𝐦𝐚 𝐞𝐬𝐭𝐚𝐧𝐭𝐞” e trazer novos olhares para minimizar as diferenças culturais, econômicas e educacionais, e atenuar a nossa tão gritante desigualdade social. 

É essa a nossa ideia ao formular a “Biblioteca Itinerante Canto do Piririguá”, integrada com uma comunidade, de forma que possa agir de modo mais participativo, agregando valores, conceitos e formas na vida de inúmeros indivíduos, os quais ela atende e presta serviços, que são indispensáveis para o desenvolvimento pessoal e intelectual, contribuindo assim para a valorização do saber e, consequentemente, também para a educação e a cultura.





COMENTÁRIO: 

O artigo do Professor Cadorno Vasconcelos Teles é realmente interessante, porque faz uma abordagem inusitada sobre o termo “literacia”, um anglicismo (literacy), do latim litteratu – muito pouco conhecido no Brasil, mais comum em Portugal. Hoje a palavra está relacionada com as habilidades cibernéticas em prol da transmissão e da apreensão de conteúdos.

Na origem o termo remete à habilidade inata do leitor privilegiado de compreender, mas principalmente de apreender, absorver, incorporar, fixar nas retentivas da memória, pela vida toda, sem nenhum esforço “decoreba”, passagens livrescas, experiências vividas, excertos de peças cinegráficas, detalhes, fatos, descrições, temas filosóficos, frases de efeito, lições de moral, aspectos que vão compor o seu cabedal intelectual dali avante, para futuras reflexões e citações.

Os desprovidos dessa habilidade especial podem até compreender superficialmente o conteúdo do que lhe perpassa o intelecto, mas não profundamente, tal sorte que depois, ouvindo comentário aprofundado ou citação a respeito de um texto que leu, por alguém dotado de “literacia” que também o compulsou, não experimenta a sensação de déjà vu. Parece-lhe uma perfeita e encantadora novidade. É como quem comeu, mas não digeriu e não absorveu o alimento.

Detalhe interessante é a designação que Vasconcelos Teles dá à sua biblioteca itinerante, o “canto do piririguá”  nome tupi do anum-branco, pássaro de sonoridade lânguida e bela.   

Reginaldo Vasconcelos


Um comentário:

  1. Grato pelo comentário, caríssimo Reginaldo Vasconcelos. A ideia de possui Literacia como habilidade é um caminho único para compor novas ideias ao lastro do tempo. Encarar essa subjetividade para assim torná-la maior que o simples letramento que encontramos. E na minha opinião, precisamos montar novas bibliotecas, por isso a proposta da Biblioteca Itinerante Canto do Piririguá, seguir por casa canto do meu município (sertão, carrasco, praia) onde nenhuma biblioteca já chegou.

    Cadorno Teles

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