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quarta-feira, 4 de novembro de 2020

ARTIGO - Hagia Sofia e o Novo Califado (LA)

 HAGIA SOFIA E
O NOVO CALIFADO
Luciara Aragão*


A islamização da sociedade e das instituições na Turquia assinalou-se objetivamente (10 de julho de 2020), na transformação de Hagia Sophia em mesquita. Na prática, um passo atrás, na separação igreja-estado e da própria liberdade religiosa com a islamização da Turquia...


Santa Sophia foi o centro do Patriarcado de Constantinopla, a cidade de Constantino, o primeiro imperador cristão. A conquista otomana a transformou em Istambul e ela passou a ser a mesquita do califado, poder estatal-religioso. No Século XX, Mustafá Kemal Ataturk substituiu o califado por uma república turca, com a separação igreja-estado e transformou a mesquita em um museu secular, patrimônio universal da Unesco, mas não a devolveu ao Patriarcado de Constantinopla que sobreviveu à queda do Império Romano do Oriente.

Ante protestos fracos e ineficazes, o Patriarcado de Constantinopla parece ceder às igrejas ortodoxas da Europa Oriental, como as da Ucrânia, também independente do desagrado do Kremlin e do Patriarcado de Moscou. Berlim apoia os turcos e os tem como aliados ou mercenários, para deter as ondas de imigração do Médio Oriente e as sondagens negativas de Trump enfraqueceram seus protestos. Só a França, condenou dura e claramente o ato.

 

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, perdeu as eleições em Istambul e a islamização do que foi a Roma do Oriente faz parte do robustecimento de sua aliança com a Irmandade Mulçumana, recuperando o terreno com a vinculação igreja-estado. A estratégia é clara. Trata-se de restaurar o Califado Otomano no Mediterrâneo suprindo o gás e o petróleo do todo o lago romano. Em termos de política internacional, otimizou a estratégia graças a frágil oposição interna à islamização da antiga basílica, esforçando-se por apagar o nome secularizador de Ataturk. 

Sua inspiração, a Irmandade Mulçumana, é o movimento que sucede o dos Modernizadores do Islã na primeira metade do século XX e deseja um regresso a pureza do califado Rashidun. Eles detiveram brevemente o poder no Egito (2012-13), a organização apressou-se a estabelecer a sharia como lei estadual. Grupos como o Hamas e o Talibã também procuram estabelecer estados islâmicos, de modos diversos. (O que é um califado islâmico e por que os cristão deveriam interessar-se? In Análise Global de Lausanne. Vol 6 . 2017). 

A Irmandade Muçulmana declara respeitar e aceitar o estado de direito da Europa Ocidental, o que a islamização de Santa Sofia, e as próprias justificativas de  Edorgan  dizendo-se um turco em defesa de sua soberania, não convencem. 

O sonho turco é o cumprimento da restauração do Califado Otomano – “cargo melhor descrito como o chefe da comunidade muçulmana mundial”. (Idem. Ibidem.). Concorde a Doutrina do Califado, mais da metade da Europa Oriental é de direito um estado islâmico e nela deve flutuar a bandeira do Islã. O objetivo final da Turquia é liberar Jerusalém e dar seguimento as profecias do mundo muçulmano. A ocupação do Norte da África é um objetivo necessário para daí expandir-se rumo ao objetivo final: a cidade de Jerusalém. O ano de 2024 marca os cem anos da dissolução do Império Turco Otomano, uma data significativa para a Turquia que tem pressa na retomada de suas pretensões de reconquistas territoriais e cumprimentos proféticos. 

A escatologia islâmica é muito clara: ela afirma que no final dos tempos, haverá um califado que submeterá o Oriente Médio e conquistará Jerusalém, dominando cristãos e judeus. “Tanto a Bíblia, como o Alcorão mencionam a ‘abominação de Jerusalém’ com a diferença que para o Alcorão isto será um feito benéfico e positivo” (Gabriel. Aline Seminário RI. NEHSC-Fortaleza, Dez 2018). 

A Turquia de hoje prepara o terreno para expandir e recriar o Império Otomano do qual Erdogan em seu discurso fala abertamente, invocando um passado recente. A “restauração do califado representa uma altura doutrinal aliada a um ascendente político”. (Foreign Policy Center Washington DC, 2014), malgrado a votação dos deputados turcos favoráveis à extinção do califado. Certamente, nem todos os muçulmanos seguem a Jihad e o califado restaurado não será unanimidade. 

O fato é que também a Bíblia cita nominalmente a invasão do Egito, hoje aliado de Israel. Sem dúvida, a Jihad global é uma grande ameaça e parece já ter início, com a invasão recentíssima da igreja de Nossa Senhora da Assunção, em Nice, seguida de morte e decapitação. A ameaça militar turca já se revelara quando os jihadistas, por ela apoiados, atacaram o nordeste da Síria, mesmo após o cessar fogo. O sonho de retomada do califado original, uma Turquia maior, extinguirá aldeias cristãs onde ainda se fala o aramaico, a língua falada por Jesus. (Turquia quer restaurar califado Otomano – O Verbo News, Nov. 2019). 

As recentes ameaças à Grécia, gerando tensão no Mediterrâneo, a subida de tom contra a França, defensora da Grécia, e o alerta alemão e estadunidense para conter Erdogan em suas provocações, endossam a ideia sobre a veracidade de mapas turcos que já incorporam Grécia e Iraque. A formação de um califado global é um objetivo de vários grupos ativistas e terroristas, acirrado com a Daesh / Estado Islâmico e de grande parte do mundo muçulmano, indicando que o extremismo da Turquia precisa de uma posição mais dura da União Europeia e do Estados Unidos...

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