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quarta-feira, 8 de julho de 2020

ARTIGO - História e Literatura: Aproximações (LA)


HISTÓRIA E LITERATURA:
APROXIMAÇÕES
Luciara de Aragão*



História e Literatura em seus discursos diversos convergem na tentativa de representar a contemporaneidade de suas experiências. Modos diversos de explicar o presente, olhar o passado e observar o devir, embora a maneira de trabalhar a História, seja a de estabelecer as correlações possíveis entre os acontecimentos revelando os seus significados. A História é comprometida com o fato que interpreta e relata com a maior exatidão possível, a partir da evidência encontrada na sua representação do passado.

É do conceito de representação, concorde as teorias de História Cultural, que partem as análises da aproximação entre História e Literatura como fonte documental para a historiografia (Lima Grecco, 2014). Aproximação recente, desde a metade do Século XX, quando as invenções metodológicas e epistemológicas baseiam-se em perspectivas socioculturais.

Hoje, vários historiadores que reconhecem no texto literário a possibilidade de identificação com textos históricos com as peculiaridades próprias da linguagem artística, a poética, o criativo, veem colocando a literatura como um campo privilegiado para a investigação do historiador. Podemos enfatizar aqui as obras paradigmáticas pelo mito, a prosa romanesca, uma mostra de mundo em forma indireta, metafórica e alegórica para o fazer histórico e literário, tal como querem o historiador Roger Chartieu e o sociólogo Pierre Bourdier.

Por vezes, a coerência do sentido que o texto literário apresenta é o suporte necessário para que o olhar do historiador se oriente para outras tantas fontes, e nele consiga enxergar aquilo que ainda não viu (Pasavento, 2016).

Um bom exemplo disso é constatar que, para os estudiosos de América Latina, o debruçar-se sobre o colombiano Gabriel Garcia Marques no seu “O General em seu Labirinto”, romance baseado na vida de Simón Bolivar, o Libertador, desde os movimentos pró-independência é de grande valia. Este construir do olhar  sobre este tipo de fonte para pesquisa passa pela riqueza interpretativa e mergulha a sensibilidade do historiador em forças  mágicas e criativas.

Para a historiadora Yvone Dias Avelino a História se define como “uma constelação de forças contraditórias, em configurações pluridimensionais permanentes, tendo um caráter abrangente, onde o historiador deve captar o real” (História Cotidiano e Linguagem, 2012 p. 156).

O texto literário tem, pois, o condão de ser interpretado como documento e fonte em que se registram vestígios do passado e representações do seu autor, construção cognitiva, intencional e possível de perpetuar uma memória, onde se registram vestígios do passado e as evidências contidas na visão do seu criador.

Como manifestação humana a literatura marca as experiências, sonhos e aspirações e celebrações de uma época. Ainda como queria Cervantes “O poeta há de contar as coisas não como foram, mas como deveriam ser, e o historiador há de escrevê-las não como deviam ser, e sim, como foram (Cervantes, 2005).


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